Edição nº2604 22/11 Ver edições anteriores

Agora é que são elas

Agora é que são elas

Há um novo paradigma na indústria do dinheiro. As mulheres estão liderando a inovação e isso vai mudar os bancos para sempre.

Em Amsterdã, na gala da EWPN – European Payments Women Network, a organização que junta as mulheres Europeias especialistas em pagamentos eletrónicos, havia uma surpresa. Chris Skinner, o blogueiro mais famoso do universo financeiro, ia fazer, na hora da sobremesa uma sessão arriscada. Aceitar todas as perguntas e respostas do auditório depois de um jantar regado com os melhores vinhos. Era impossível não aproveitar a ocasião e logo fiquei de braço no ar.

A primeira vez que ouvi falar dele foi porque a diretora de inovação do banco BBVA em Portugal, a Andreia Madeira, mo recomendou. Entre os milhares de newsletters de circulam por aí roubar leitores, é preciso escolher bem onde se gasta o tempo. Este, valia a pena. Desde então, começo meus dias a lendo no Finanser.com, o blogue que todo o mundo neste negócio, desde banqueiros tradicionais aos fundadores das Fintech, seguem com mais atenção.

Foi “nas coisas que hoje vale a pena ler” que o Sr. Skinner me manda todos os dias antes das 8 da manhã que fiquei sabendo, por exemplo, que operação na bolsa da Uber não ia correr assim tão bem ou que o gigante alemão Deutsche Bank e outros bancos gananciosos não denunciavam irregularidades com medo de perder clientes. Por isso ele era uma das figuras de cartaz do Money2020 um dos maiores eventos mundiais do setor da banca.

Foi também ele que me explicou que o maior desafio que a banca hoje enfrenta, apesar de todo o frenesi, não é tecnológico, mas de relacionamento com os clientes; e que, apesar desta maluquice tecnológica, quando a poeira assentar, as pessoas vão valorizar de novo o mesmo de sempre: um aperto de mão, depois de um café.

Quando chegou a minha vez coloquei duas questões. Quando vai ser a próxima crise séria vai chegar? Essa bolha das Fintechs é mais uma oportunidade ou uma ameaça?

A resposta chegou com pouco entusiasmo. “Se tudo fosse normal, respeitando os 80 anos de intervalo entre tragédias financeiras globais, a próxima devia ser por volta de 2045, mas o problema é que ninguém sabe como vai ser sistema bancário daqui a dois anos, quanto mais daqui a 25”.

Estava esperando Furo, mas logo me desapontei. O que que eu queria saber, ninguém sabia. No que concerne aos homens, tudo continuava igual. A diferença é que no futuro, as mulheres, porque estão liderando na inovação, vão ter lugar certo nas diretorias. E isso é que poucos homens já entenderam. Obrigado Dr. Skinner.

Podemos não saber as datas da próxima crise, mas uma coisa é certa, quando, uma indústria como é a banca entrega a inovação às mulheres há três coisas que vão mudar para sempre. Primeira: vai ser mais segura. Segunda: vai ser mais limpa. Terceira: “Menino” não vai voltar a entrar.

Com as mulheres sentadas na caixa forte vai ser muito mais difícil os manos Lehman voltarem a dar as caras por aqui.


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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