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Agnes Chow, a ativista de Hong Kong que Pequim quer silenciar

Agnes Chow, a ativista de Hong Kong que Pequim quer silenciar

Agnes Chow foi presa por policiais sob a nova lei de segurança nacional de Hong Kong - AFP

Agnes Chow, uma das figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong, foi presa sob a lei de segurança nacional com a qual Pequim visa reprimir qualquer dissidência e silenciar uma geração de ativistas envolvidos na política desde a adolescência.

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Chow, de 23 anos, saiu algemada de seu apartamento na noite de segunda-feira, levada por policiais da nova unidade de segurança nacional.

É uma das primeiras figuras da oposição a ser presa por “conluio com forças estrangeiras”, uma acusação sentenciada com prisão perpétua.

O compromisso militante desta mulher começou aos 15 anos, quando se juntou a um movimento de jovens que protestavam contra projetos destinados a implantar uma “educação moral e nacional” nas escolas públicas.

Esses estudantes temiam uma política de educação muito controlada, como na China continental. Diante de tal mobilização, o governo de Hong Kong acabou revertendo sua escolha.

Durante essas manifestações, Agnes Chow conheceu Joshua Wong e tornou-se desde então uma figura do movimento pela democracia em Hong Kong.

– “Movimento dos guarda-chuvas” –

Dois anos depois, em 2014, Wong, Chow e outros estudantes desempenharam um papel determinante no “Movimento dos guarda-chuvas”, mobilização pacífica que nasceu da rejeição de Pequim em organizar eleições por sufrágio universal no território e que paralisou a ex-colônia britânica por 79 dias. Apesar do alcance, Pequim não fez nenhuma concessão.

Agnes Chow foi co-fundadora do Demosisto, o partido que defende o ideal democrático, junto a Joshua Wong, Nathan Law e outros jovens militantes.

Este novo partido estava decidido a enfrentar Pequim e a incentivar a população de Hong Kong a opinar sobre a gestão da cidade.

Chow foi um dos primeiros membros do Demosisto a sofrer as consequências.

Em 2018, o executivo de Hong Kong lhe proibiu de se apresentar nas legislativas parciais, argumentando que seu partido defendia a “autodeterminação”.

“O governo tenta se desfazer de todos os partidos políticos que estão contra ele”, disse então Agnes Chow diante de uma multidão de manifestantes.

– Rede de solidariedade –

Seu maior êxito foi conseguir apoios internacionais para o movimento pela democracia, criando uma enorme rede de solidariedade, algo que deve em grande parte ao seu domínio do inglês, cantonês e do japonês.

Em sua conta do Twitter, na qual publica principalmente em japonês, ela possui 458.000 seguidores e no Facebook, onde anunciou sua prisão na segunda-feira, tem 192.000.

Em julho, 12 ativistas do movimento pela democracia candidatos às legislativas foram desqualificados por suas opiniões políticas.

Os responsáveis do Demosisto anunciaram a dissolução de seu partido após a adoção da lei. Nathan Law fugiu para o Reino Unido na mesma semana.

Chow e Wong permaneceram em Hong Kong, onde ambos são processados por ter participado nas gigantescas manifestações a favor da democracia que sacudiram a cidade no ano passado.

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