Agentes anti-imigração de Trump matam 2º civil em Minnesota

Novo assassinato a tiros acirra tensão em marchas ao redor de Minneapolis, com relatos de truculência policial. Governador pede fim imediato da captura de indocumentados.Sob protestos contra as operações anti-imigração do governo dos Estados Unidos, a cidade de Minneapolis registrou neste sábado (24/01) o segundo assassinato de um civil em três semanas por agentes federais. O alvo desta vez foi um homem de 37 anos, de suposta nacionalidade norte-americana, cuja identidade não foi imediatamente revelada.

Em 7 de janeiro, a cidadã norte‑americana Renee Good foi baleada e morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante uma operação para capturar migrantes indocumentados.

Somado aos repetidos relatos de violência durante as batidas do ICE ao redor do país, o assassinato de Good serviu de estopim para eclodirem manifestações massivas em Minneapolis, mesmo com temperaturas de –29 graus.

Quando o novo caso veio à tona, manifestantes já estavam espalhados por vários pontos da cidade para pedir a saída do ICE, que em 1 de janeiro mobilizou cerca de 2 mil agentes na cidade. A notícia acirrou ainda mais a tensão, com diversos renovada opressão policial contra manifestantes reportada pela imprensa americana.

Vídeo mostra truculência

Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), o alvo deste sábado era um indivíduo que se aproximou armado de oficiais de controle de fronteira, que vêm assistindo o ICE nas operações contra imigrantes.

"Os oficiais tentaram desarmar o suspeito", que "violentamente resistiu", disse o DHS na rede social X, publicando uma foto de uma arma que pertenceria ao homem baleado. Ele foi declarado morto no mesmo lugar.

Um vídeo, cuja autenticidade foi confirmada por autoridades, mostra vários agentes cercando uma pessoa caída no chão e a golpeando várias vezes. Vários disparos são ouvidos.

Em seguida, cerca de 200 manifestantes chegaram à cena e "começaram a obstruir e assediar” autoridades, segundo o DHS, afirmando que "medidas para controlar a multidão” foram aplicadas.

A NBC News reportou que dezenas de agentes federais mascarados estavam no local. Já a CNN relatou que as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo em larga escala, com manifestantes procurando abrigo em estabelecimentos.

Governador: "Minnesota chegou ao limite"

"Minnesota chegou ao limite. Isso é revoltante," escreveu na rede social X o governador do estado, Tim Walz, companheiro da ex-vice-presidente Kamala Harrisna chapa democrata das últimas eleições.

Ele foi o primeiro a tornar público o caso e afirma que a investigação deve ser liderada por autoridades estaduais, e não federais. "O presidente precisa encerrar esta operação. Retire os milhares de agentes violentos e sem treinamento de Minnesota. Agora."

Autoridades federais disseram que o agente responsável pela morte era um veterano com oito anos de experiência. Por sua vez, Trump acusou o prefeito de Minneapolis e o governador de Minnesota de "incitarem uma ressureição".

O presidente já ameaçou antes evocar o chamado Insurrection Act (Ato de Insurreição), que o permitiria enviar torpas a Minnesota sob a justificativa de garantir a aplicação da lei.

Anteriormente, a Casa Branca respondeu ao assassinato de Good, baleada dentro do carro, chamando-a de "terrorista doméstica". Sobre o alvo deste sábado, o DHS disse que os agentes federais estavam numa situação em que "parecia que um indivíduo queria provocar danos máximos e massacrar os agentes da lei."

A polícia de Minneapolis pediu que a população mantenha a calma e "não destrua" a cidade. Segundo o chefe da corporação, a informação que chegou às autoridades locais é a de que vários agentes federais estariam envolvidos na morte.

Já de acordo com organizadores dos protestos, mais de 700 estabelecimentos comerciais no estado de Minnesota estavam fechados em consequência da convocatória para as marchas.

ht (AP, Reuters, AFP, ots)