Com mais de três bilhões de exemplares vendidos, Agatha Christie só perde para a Bíblia em popularidade de livros. Mas a escritora policial mais famosa de todos os tempos já teve alguns títulos de seus romances modificados pelos fãs por serem considerados politicamente incorretos. Agora o que passa por revisão histórica são suas 66 novelas e 163 contos.

A obra de maior sucesso de Christie começou a ser rebatizada em 1980, na Grã-Bretanha, quatro anos após o seu falecimento. O Caso dos Dez Negrinhos (Ten Little Niggers, no original de 1939) mudou para E Não Sobrou Nenhum (And Then There Were None). E assim foi por diversos países, devido ao termo pejorativo “nigger” do título.
No momento, a editora HarperCollins vem reescrevendo trechos de sua obra, como Morte no Nilo, de 1937, e Mistério no Caribe, de 1964, para eliminação de situações com alusão racista aos personagens.

Cuidados com o sentido de obras clássicas literárias também foi anunciado pela editora de …E o Vento Levou. Após estimadas 50 milhões de cópias vendidas em 30 línguas para as quais foi traduzido, o livro da escritora norte-americana Margaret Mitchell passará a receber um selo de alerta sobre o racismo retratado na obra.

Lançado em 1936 e vencedor dos prêmios Pulitzer e National Book Award no ano seguinte, a obra de Mitchell cobre a Guerra Civil Americana (1861-65), a Reconstrução (1865-77) e retrata o período de escravidão vigente até 1863 nos Estados Unidos. O alerta é um aviso ao leitor sobre o que pode considerar nocivo ou doloroso na obra.

De olho nas capasAgatha Christie e o novo revisionismo de clássicos da literatura

Após pesquisa apontar que leitores entre 11 e 13 anos passaram a apreciar mais a leitura durante o período de pandemia (84%, segundo Nielsen BookScan), a editora Brasiliaris começou a reeditar as capas de clássicos brasileiros para melhor atrair esse público. “Usamos referências que sejam cruciais com elementos modernos. Vamos tirar aquela impressão das obras clássicas com capas simples e que parecem ser desinteressantes”, diz Rodrigo Aguirre, diretor da agência Spirit