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Afeganistão libertará três talibãs em possível troca por reféns

Afeganistão libertará três talibãs em possível troca por reféns

(29 de setembro) Cartaz do presidente afegão, Ashraf Ghani, pendurado em um prédio em Cabul, um dia após as eleições presidenciais - AFP/Arquivos

O Afeganistão libertará três prisioneiros talibãs importantes, anunciou o presidente Ashraf Ghani, em uma aparente troca por dois professores estrangeiros que foram sequestrados pelos insurgentes em 2016.

Entre os prisioneiros talibãs está Anas Haqqani, filho do fundador da rede Haqqani, Jalalduin Haqqani, um importante braço da rebelião e responsável por vários ataques contra Cabul e seus aliados da Otan.

Os dois professores, o americano Kevin King e o australiano Timothy Weekes, foram sequestrados por homens armados, que usavam uniformes de policiais, em agosto de 2016 quando saíam da Universidade Americana de Cabul.

Em uma declaração oficial no palácio presidencial, Ghani afirmou: “Temos informações de que o estado de saúde deles piorou durante a detenção pelos terroristas”.

A libertação dos professores era a “principal condição para iniciar negociações extraoficiais com os talibãs”, completou. Os insurgentes rejeitaram até o momento qualquer conversação com as autoridades afegãs, que consideram ilegítimas.

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“Decidimos, em consultas com nossos sócios internacionais, especialmente os Estados Unidos, libertar três prisioneiros talibãs detidos fora do país e que estão há algum tempo na prisão de Bagram”, explicou Ghani.

Além de Anas Haqqani, os outros prisioneiros talibãs que devem ser liberados são Haji Mali Khan – tio do atual líder da rede Sirajuddin Haqqani – e Abdul Rashid, que supostamente é irmão de Mohamed Nabi Omari, membro do gabinete políticos dos talibãs em Doha.

O presidente afegão afirmou que serão adotadas medidas para que a libertação dos três prisioneiros “não alimente as forças dos inimigos ou aumente seus ataques”.

Ghani não revelou mais detalhes sobre a situação dos reféns estrangeiros, nem informou quando ou como eles poderiam ser libertados.

Uma fonte talibã no Paquistão afirmou à AFP que “o prisioneiro americano (Kevin King) está gravemente ferido e existe o temor de que pode morrer em cativeiro, por isso querem libertá-lo”.

As embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália em Cabul não comentaram a informação.

As discussões para a libertação dos professores e dos detentos talibãs “aconteciam há algum tempo”, afirmou à AFP Rahimullah Yusufzai, especialista em questões relacionadas ao movimento talibã.

O analista destaca que a troca é parte das medidas para estabelecer a confiança entre talibãs e Estados Unidos, e “terá grande impacto nas discussões” entre as duas partes para encerrar o conflito.

Washington suspendeu em setembro as negociações com os talibãs sobre uma retirada das tropas americanas do Afeganistão após um atentado, reivindicado pelos insurgentes, que matou um soldado americano.

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