*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O advogado Rodrigo Mondego, que representa a adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana (RJ), relatou nas redes sociais ter sido vítima de agressões verbais por parte do ex-subsecretário estadual de Governança do Rio José Carlos Simonin, pai de um dos acusados de cometer o crime e que está preso.
“Vai trabalhar pra pagar as suas contas, vagabundo”, teria escrito José Carlos em mensagem endereçada a Mondego.
O advogado notou que o ex-subsecretário passou a segui-lo nas redes sociais após ele representar a vítima judicialmente. Em seu perfil no Instagram, Mondego reproduziu a mensagem atribuída a José Carlos Simonin e respondeu dizendo que trabalha para que o filho de José Carlos continue preso e responda na Justiça pelo estupro.
Mondego relatou que, em tese, houve infração ao artigo 344 do Código Penal, que trata de coação no curso do processo (violência ou grave ameaça contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio). O crime, se confirmado, é punido com reclusão de um a quatro anos.
Além disso, o ex-subsecretário teria deixado comentários no perfil da atriz e roteirista Sherazade Medina, que cobra para que o caso seja investigado seriamente. No Instagram da artista, José Carlos escreveu: “Ela é sua filha? É a sua cara. KKK, esconde esses peitos, independente”. A postagem está em um dos vídeos em que ela comenta o estupro coletivo da adolescente.
A adolescente afirma que foi atraída pelo ex-namorado, menor de idade, para o apartamento de Vitor Hugo, em Copacabana, onde ele estava com outros três adultos. Os quatro maiores de idade — entre eles Vitor Hugo — teriam abusado da vítima e são réus por estupro coletivo qualificado. O menor responde por atos infracionais análogos.
José Carlos Simonin exercia o cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. No último dia 4, após o caso vir à tona, ele foi exonerado pelo governador Cláudio Castro (PL). No mesmo dia, Vitor Hugo, que estava foragido, entregou-se à polícia.
*Com informações do Estadão Conteúdo