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Entrevista

Roberto Justus

Adoraria ser primeiro-ministro do Brasil

Marcos Alves / Agencia O Globo

Adoraria ser primeiro-ministro do Brasil

Eduardo F. Filho
Edição 15/03/2019 - nº 2568

“Ele está de volta” é o que dizem os banners espalhados pelo País com o rosto de Roberto Justus, 63 anos. Um dos maiores empresários do Brasil retorna à televisão com o programa que o consagrou apresentador, “O Aprendiz”. Além de comandar a apresentação, Justus foi pessoalmente aos Estados Unidos comprar os direitos do reality que será transmitido todas as segundas-feiras, às 22 horas, pela Band e duas vezes na semana por um canal pago. O sucesso antes da estreia é tão grande que sete patrocinadores já assinaram contratos com o empresário — se tornando o recorde do programa. Durante duas horas de entrevista, Justus recebeu ISTOÉ em seu novo escritório na Zona Sul de São Paulo. Bebericando água com gelo — “é a única coisa que eu bebo fora o meu suco de laranja com mamão pela manhã”, falou sobre carreira, a nova fase de avô e sobre política. “Eu entendo a mensagem do presidente Bolsonaro, ele está certo. Quem quer aquele tipo de gente num país como o Brasil. Dá pena do nosso país ter um cara urinando na cabeça do outro”.

Depois de cinco anos, o programa “O Aprendiz” está de volta, mas agora o senhor além de apresentador é dono do produto?

Sim, Fui aos Estados Unidos pessoalmente e comprei os direitos do Aprendiz que hoje pertencem a MGM. Foi muito fácil para mim, eles me conheciam, sabiam do sucesso que o programa faz no Brasil. A Band e eu fizemos uma sociedade e estou coproduzindo o projeto, estou criando junto com a emissora. Estou absolutamente animado. Eu comecei na televisão com esse programa em 2004 e fiz seis edições até 2009. Fui convidado pela Record em uma época em que nunca imaginava que iria fazer uma carreira na televisão. Eu era líder de mercado em publicidade, o programa exigia que você fosse um empresário reconhecido e admirado pelo público. O grande público não me conhecia, mas o meio empresarial, sim. Eu era um cara articulado, com uma aparência boa e a Record achou que combinava.

Quais foram as mudanças que o senhor planejou para a nova versão do programa?

Eu dei uma repaginada, mas em time que está ganhando você não mexe. Então a espinha dorsal é a mesma. Diferente das outras edições, faremos um episódio por semana. Agora vai acontecer a prova, a reunião e a demissão no mesmo dia, não daremos tempo para a pessoa que está assistindo ir ao banheiro. Além disso, fechamos parceria com um canal pago, a Sony, que vai transmitir o programa em dois dias diferentes durante a semana.

Uma das novidades dessa nova edição é que os participantes todos são influenciadores digitais. Como é o trabalho com eles?

A ideia de trazê-los foi minha. Precisávamos fazer uma convergência entre o mundo da TV aberta e o mundo digital. O jovem que não vê mais televisão vai querer ver seus ídolos em “O Aprendiz”. Tinha que ter um diferencial muito grande, o casting é fundamental. Quem faz o programa são eles. É muito importante para nós causar um grande impacto com a volta do reality. Estamos fechando com sete patrocinadores oficiais, que é um recorde para “O Aprendiz”. E olha que eu não estou contando com os anunciantes durante os intervalos comerciais.

Qual é a diferença que você consegue enxergar entre os empresários das outras edições e os influenciadores?

Eles de uma forma tem uma pegada artística. Eles são produtores de conteúdo, estão acostumados com a câmera. O empresário normal não tem isso. Então é engraçado fazer um programa com pessoas que são quase celebridades. Eles têm mais a perder do que um desconhecido, por exemplo.

Como está sendo voltar às origens e demitir as pessoas?

Eu já estava com saudades da minha celebre frase: você está demitido. A demissão sempre é ruim para os dois lados. Mas dessa vez eu tenho o alivio em dizer que eu não estou tirando o emprego da pessoa. Todos os participantes dessa temporada tem o próprio negócio. Estarei tirando apenas a chance dele ganhar um milhão de reais.

Se fossem políticos quem o senhor demitiria?

Eu demitiria primeiro todo o Partido dos Trabalhadores, devem ter exceções de pessoas boas ali como em todos os lugares. Eu sou muito sincero com isso, acho que perdemos 16 anos de prosperidade no comando do PT. Também terei minhas criticas e cobranças quanto ao governo Bolsonaro. Acho que o presidente tem falado bobagens que não tem necessidade de falar. O posto de presidente pede que se resguarde um pouco mais. Está dando muita munição para concorrência em muito pouco tempo. Essa historia dos filhos e do vídeo.

O senhor demitiria Jair Bolsonaro?

Não, eu votei nele. Ele está fazendo um bom trabalho, estou otimista com o novo governo. O que ele está fazendo com a reforma da Previdência, as privatizações, as movimentações na economia, Paulo Guedes, toda a turma que ele colocou. Estou radiante e vibrando muito. Talvez se tivesse uma boa base de comunicação cuidando disso e que o presidente pudesse ser preservado seria muito importante. Acho que o nosso capitão veio na hora certa. Essa coisa dos militares é importante para colocar ordem na casa.

O seu nome foi cogitado para a presidência, o senhor chegou a cogitar o cargo?

Eu cheguei a pensar, sim. Fui até para uma reunião em Brasília, mas desisti. Passar por uma eleição sanguinária dessas é uma baixaria. Não é uma eleição para qualquer um enfrentar, abdicar da minha vida, das minhas coisas, que eu adoro fazer nesse momento de vida que eu estou semiaposentado. De jeito nenhum. O poder do homem está na agenda vazia e não na cheia. Tenho condições intelectuais para enfrentar uma eleição. Seria mais radical que o Jair em relação a buscar eficiência e eficácia, mas não saberia orbitar no Congresso. Não teria autonomia para fazer o que quero. Sofreria lá dentro.

 

Se te oferecessem um cargo com maior autonomia, o senhor aceitaria?

Aí muda tudo. Eu teria o maior prazer de ser presidente da empresa Brasil S.A. totalmente diferente do país Brasil porque você teria total autonomia e carta branca para fazer o que você quiser no País. Por isso eu acho o cargo de Primeiro Ministro muito legal. Seria um sistema mais interessante. Adoraria ser Primeiro Ministro do Brasil. Ele tem mais autonomia. E outra, funciona como uma empresa, se não der certo você tira.

Donald Trump e João Dória foram apresentadores do Aprendiz. Existe relação entre ser apresentador do programa e virar político em seguida?

Eu acho uma coincidência muito grande. O João Dória fez duas edições de “O Aprendiz” e nasceu para ser político. O Donald Trump se popularizou nos Estados Unidos por causa do programa. Ele é aquela coisa do chefe implacável, exigente. Isso levou para ele uma imagem favorável para a própria presidência. Os americanos tinham um cansaço muito grande pelo establishment político por motivos diferentes dos nossos. E ele veio com uma voz dissonante e conseguiu levar a eleição.

O que você acha de Trump como presidente?

Já o achava despreparado para o cargo antes dele assumir a presidência. Acho ele muito limitado intelectualmente. Como empresário, quebrou várias vezes. Eu assisti todos os debates que ele fez com a Hillary e ele só levou porque ela não era grande coisa. Ele só repete os temas. O histórico e as atitudes dele não são bons. Ele é muito bom para a economia, abaixou os impostos radicalmente, ajudou muito as empresas, desde que assumiu, a bolsa americana não para de crescer. Mas o radicalismo nas decisões e a teimosia estão errados.

Agora Donald Trump como apresentador do Aprendiz. Ele seria um professor para o senhor?

Ele fazia direitinho, fazia bem. Diferente de mim. Tenho meu estilo, não me baseei em Trump para nada. Ambos somos exigentes, mas de formas diferentes. Só fui o Roberto de sempre, mas um tom acima do que eu seria. Às vezes até três tons acima. Nunca humilhei ninguém, nunca tratei ninguém mal, mas preciso ser duro, direto.

O senhor acredita que o Reality Show é a chave para a TV voltar a ocupar o espaço que perdeu para a internet?

A TV mudou muito, ela não vai morrer como nenhuma mídia morreu, nem o rádio morreu, nem o jornal impresso. Adoro revistas e jornais, adoro ler na minha mão. As pessoas adoram ver outras pessoas sendo levadas ao extremo num reality show, independentemente do formato. As pessoas se colocam no lugar das outras. O meu, por exemplo, é um reality do mundo dos negócios, um reality com inteligência. Eu não acho que vai terminar tão cedo, porque os formatos vão se modificando.

A Fazenda ou Big Brother Brasil?

São produtos espetaculares. Em minha opinião, A Fazenda é mais legal que o Big Brother. São pessoas conhecidas. É mais gostoso você acompanhar o confinamento e as dificuldades de pessoas conhecidas, mesmo que sejam sub-celebridades porque as grandes celebridades não topariam fazer isso. Mas as sub são divertidas de ver. O desconhecido não tem muito apelo.

Depois de comprar os direitos de O Aprendiz você procurou todas as emissoras, menos a Globo, por quê?

Eu adoraria ter o programa na Globo, seria espetacular. Daria 40 pontos de audiência, seria padrão Globo. Mas eu teria menos liberdade, porque a emissora iria produzir, eu ia ter que ser só apresentador, não seria sociedade. Seria contratado pela Globo sendo que com as outras emissoras eu conseguiria uma sociedade. Então não fui nem perder meu tempo.

O senhor agora é avô de três. Como está essa fase?

Brinco que o avô é o pai sem ônus, porque fico na hora boa, aí as fezes, febre, banho e choro é tudo para os pais. Família grande é maravilhoso. Tenho quatro filhos, três netos, faço questão de estar presente. A sensação de virar avô é sensacional. Uma coisa muito interessante na minha família é que a gente se dá com as ex-mulheres, então eu cuido muito bem delas.

 

Você é casado com a Ana Paula Siebert, ex-participante do Aprendiz. Pensa em aumentar a família?

Não posso negar a uma mulher de 31 anos o direito de ter filhos, disse para ela que nos primeiros cinco anos de relação não queria nem falar no assunto, mas já se passaram seis. Também queria que meus netos tivessem nascido primeiro e eles já nasceram. Então o momento está propicio. Estamos conversando, não tem nada certo, mas está decidido que vai ter uma continuação. Vou ser pai/avô.

 

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