Acusado de estupro coletivo usava camiseta com frase ‘Não me arrependo de nada’

Expressão é associada a grupos misóginos que propagam cultura 'redpill' nas redes sociais

reprodução/redes sociais
Vitor Hugo Oliveira Simonin no momento da prisão Foto: reprodução/redes sociais

Um dos acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro, Vitor Hugo Oliveira Simonin usava uma camiseta com a frase “regret nothing” [não me arrependo de nada] no momento em que se entregou a polícia. O homem de 18 anos se apresentou à 12ª DP de Copacabana na última quarta-feira, 4, após repercussão do caso.

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A estampa foi apontada pela Folha de S. Paulo subsequente à veiculação de fotos que flagraram o momento da prisão. Segundo usuários, a expressão é associada ao influenciador britânico-americano Andrew Tate, conhecido por propagar estilo de vida misógino em grupos masculinistas denominados de “machosfera”.

Tate é réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores, sendo frequentemente criticado por ser o maior representante da cultura “redpill” — movimento presente sobretudo na internet, com intuito de engajar homens e meninos em ideologias que culpabilizam mulheres por problemas sociais e incentivam visões hostis sobre relacionamentos e igualdade de gênero. Especialistas têm apontado como a normalização da violência contra mulheres dentro desses grupos é um dos principais catalizadores de crimes como feminicídio e agressões sexuais.

O crime

Imagens da câmera de segurança do edifício em que a vítima de 17 anos vive mostram cinco suspeitos entrando no apartamento em 31 de janeiro, quando o crime teria ocorrido. Quatro suspeitos foram indiciados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e presos. O quinto suspeito se entregou na última sexta-feira, 6, e terá a conduta apurada pela Vara da Infância e Juventude.

Após o estupro, a vítima pediu ajuda aos familiares e fez a denúncia. Ela contou à polícia que recebeu o convite de um colega de escola para ir à casa de um amigo dele. Ao chegar, o colega, o único adolescente, insinuou que eles fariam “algo diferente”, o que a jovem recusou.

No apartamento, ela foi trancada em um quarto com os homens que a forçaram ter relações sexuais.  “Com a negativa [dela], eles passaram a despir-se e a praticar atos libidinosos mediante violência física e psicológica contra a vítima”, detalhou a polícia, em nota à imprensa.