Um britânico acusado de estuprar durante 13 anos a ex-esposa, a quem teria drogado previamente, comparece nesta sexta-feira (23) à Justiça junto com outros cinco suspeitos de também terem abusado sexualmente dela.
Assim como a francesa Gisèle Pelicot, que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual ao se recusar a ter um julgamento a portas fechadas no processo contra o marido, a vítima neste caso, Joanne Young, de 48 anos, também abriu mão do direito ao anonimato.
O ex-marido dela, Philip Young, de 49 anos, em prisão preventiva, deve comparecer ao tribunal criminal de Winchester, no sul da Inglaterra.
Na audiência, o juiz deverá questioná-lo se se declara culpado ou não culpado.
Segundo a imprensa local, o ex-vereador do Partido Conservador britânico foi detido e acusado no fim de dezembro passado de 56 crimes sexuais, incluindo múltiplos estupros, voyeurismo e posse de imagens pornográficas envolvendo menores.
Young também responde à acusação de ter administrado a Joanne Young “uma substância com a intenção de atordoá-la ou submetê-la para manter relações sexuais”.
Os fatos denunciados se estendem por um período de 13 anos, de 2010 a 2023.
Em uma audiência anterior, em dezembro, o acusado havia comparecido apenas para confirmar nome, data de nascimento e endereço.
Outros cinco homens – entre 31 e 61 anos -, em liberdade sob fiança, também comparecerão ao mesmo tribunal, acusados, entre outros crimes, de estupros e agressões sexuais contra Joanne Young.
Dois deles se declararam não culpados em audiência anterior.
A polícia não forneceu mais detalhes, como o local onde os abusos teriam ocorrido, mas informou que o principal acusado viveu temporariamente na cidade de Swindon, a cerca de 100 km a oeste de Londres, assim como três dos outros homens.
Na França, Gisèle Pelicot foi estuprada durante uma década em sua casa em Mazan, no sul do país, por dezenas de desconhecidos recrutados pela internet por seu marido, Dominique Pelicot, que a drogava.
Ela se recusou a que o julgamento ocorresse a portas fechadas, e o caso teve grande repercussão internacional.
O ex-marido foi condenado a 20 anos de prisão, e os demais acusados receberam penas entre três e 15 anos.
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