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Acrobatas, esquilos se movem fazendo parkour, revela estudo

Acrobatas, esquilos se movem fazendo parkour, revela estudo

Um esquilo em Berlim em 2020 - AFP/Arquivos


Os esquilos fazem cálculos complexos em frações de segundo e usam estratégias surpreendentes para evitar quedas perigosas, revelou um novo estudo publicado nesta quinta-feira (5) na prestigiada revista Science.

Cientistas da universidade UC Berkeley construíram vias com obstáculos para entender melhor como os esquilos ajustam seus movimentos em pleno voo para evitar quedas fatais, algumas vezes de forma parecida à do parkour, modalidade acrobática em que os praticantes usam sua habilidade para superar obstáculos urbanos.

Os pesquisadores esperam que estes estudos possam ajudar algum dia a desenvolver robôs mais ágeis.

“Os esquilos têm uma combinação de características que os tornam muito interessantes: de um lado, sua natureza acrobática, biomecânica e músculos poderosos que usam para executar saltos que superam em várias vezes o seu tamanho”, explicou à AFP Nathan Hunt, principal autor do estudo.

“De outro, suas capacidades cognitivas. Têm excelente memória, são muito criativos e bons em encontrar soluções”, acrescentou.

A equipe de cientistas usou amendoins para atrair os animais. Pedaços de madeira foram instalados para simular galhos de árvores, obrigando os esquilos a saltar de distâncias diferentes para receber a recompensa.

Os cientistas queriam observar a forma como os esquilos tomam decisões diante de um desafio difícil: aproximar-se da borda da madeira para reduzir a distância a saltar, o que comprometia sua estabilidade e reduzia sua força de propulsão, já que a plataforma se tornava instável.

Resultado: os esquilos preferiram se atirar da base, sobretudo quando os “galhos” eram menos rígidos. A flexibilidade dos “galhos” acabou sendo seis vezes mais importante em sua decisão do que a distância a superar.

Nenhum esquilo caiu durante o experimento, graças a estratégias diferentes e às garras afiadas.

A inovação mais surpreendente foi na execução dos saltos mais difíceis: ao invés de visar diretamente no objetivo, os esquilos usaram o muro lateral como etapa para “repicar”, como se usassem uma técnica de parkour: modalidade popularizada pelo grupo francês Yamakasi na década de 1990.

Quando os esquilos são caçados por aves de rapina, o sucesso de sua fuga pode depender de alguns centímetros, o que provavelmente explica sua grande agilidade, explicou Hunt.

“É curioso publicar este estudo porque as pessoas observam com muita frequência esquilos em seus jardins”, diz. Ele mesmo não pode evitar ter novas ideias de experimentos ao observá-los, admitiu.



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