A semana

Acredite. Essa é Paris

Crédito: AP Photo/Christophe Ena

EX-CIDADE LUZ Lixo se acumula perto do Arco do Triunfo: agora, até os lixeiros são contra Emmanuel Macron (Crédito: AP Photo/Christophe Ena)

Emmanuel Macron, desde que assumiu a presidência da França em maio de 2017, convive quase rotineiramente com manifestações populares de larga escala. Ele já passou pelos longos protestos dos coletes amarelos em 2018, que reivindicavam a revogação de impostos sobre combustíveis, e lida desde dezembro do ano passado com greves contrárias à aprovação de uma Reforma da Previdência no país. O efeito mais recente das mobilizações é o acumulo de lixo nas ruas de Paris, resultado da greve dos lixeiros e dos trabalhadores do setor de incineração. Macron está apenas na metade de seu mandato, mas junto ao mau cheiro das ruas parisienses há o temor de um novo movimento: a saída da França da União Europeia, a exemplo do processo recente pelo qual passou o Reino Unido. O “Frexit” era uma das propostas de Marine Le Pen, adversária do presidente e que perdeu por pouco as eleições em 2017. Ela recuou um pouco nesse assunto, e a pesquisa mais recente aponta que 60% dos franceses não estão dispostos a acompanhar os britânicos, mas o debate sobre o assunto pode voltar com força – principalmente em caso de sucesso econômico do Reino Unido.

ENSINO SUPERIOR
O valor da Educação com tecnologia

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“As instituições precisam se modernizar e preparar alunos para o século XXI”. A avaliação é do secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, durante o lançamento da plataforma de ensino a distância da FIA (Fundação Instituto de Administração), em parceria com o UOL Edtech, na capital paulista, na segunda-feira 3. Patrícia Hellen, secretária de Ciência e Tecnologia, também marcou presença. São 11 cursos, entre MBA’s e pós-graduações, todos destinados ao mundo dos negócios “Precisamos não só ampliar o acesso, mas também democratizar o conhecimento”, completou Isak Kruglianskas (foto), diretor-presidente da FIA.

SAÚDE
Medicamentos para Ebola e HIV são usados para tratar coronavírus

Para tratar a mais nova epidemia viral que afeta a humanidade, os médicos estão recorrendo a substâncias que já funcionaram contra outras enfermidades gravíssimas. Na China, alguns hospitais estão administrando medicamentos utilizados anteriormente para tratar HIV, Ebola e H1N1 em pacientes com casos confirmados de coronavírus. A justificativa é que o desenvolvimento de uma droga específica para cuidar da doença leva anos — portanto usar uma com impactos já conhecidos pode ser eficiente. Na China, um estudo identificou que os remédios para HIV foram eficientes no combate a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). Até o momento, os resultados são positivos com alguns pacientes em estado gravíssimo apresentando melhoras significativas e até negativando o vírus.

CIDADANIA
Pensão aos que sofrem com microcefalia

O Senado aprovou a concessão vitalícia de pensão para as crianças nascidas com microcefalia decorrente do zika vírus entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2019. O benefício será de um salário mínimo, hoje em R$ 1045,00. A medida provisória garante o valor mesmo aos que recebiam benefício de prestação continuada (BPC) e superaram o limite de um quarto de salário mínimo por membro da família, regra que existia anteriormente.

BRASIL
Comunicação pública versus Petra Costa

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A cineasta Petra Costa está em campanha pelo Oscar de Melhor Documentário, com o filme “Democracia em Vertigem”, que aborda o impeachment de Dilma Rousseff. A diretora nunca escondeu seu lado enviesado — assumidamente petista —, mas algumas entrevistas a TVs americanas geraram rebatidas histéricas do governo. Uma delas foi por meio da página da secretaria de comunicação do planalto que fez postagens em inglês para criticá-la, incluindo frases com erros gramaticais, acusando-a de ser uma “militante anti-Brasil” e disseminadora de fake news. O uso de meios públicos para atacá-la talvez dê ainda mais projeção ao seu trabalho.

VIOLÊNCIA
A polícia mais letal que os criminosos

Os governos estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo divulgaram dados de segurança pública que se cruzam de forma assustadora. Na taxa de homicídios, a polícia do Rio mata mais que os criminosos paulistas. São 10,5 homicídios a cada 100 mil habitantes por ação policial contra 7,2 homicídios por 10 mil habitantes, englobando assassinatos dolosos, latrocínios e lesão corporal seguida de morte que acontecem no estado paulista. Talvez, essa informação ajude a entender porque São Paulo se tornou o destino mais procurado para o carnaval de 2020, ultrapassando o Rio de Janeiro, de acordo com dados da Decolar divulgados na semana passada — inimaginável anos atrás.