Trump se irrita após vazamento de memorando que beneficia Irã

Documento vazado por fontes ocidentais e iranianas favorece Teerã e provoca reação de presidente americano Donald Trump

Trump se irrita após vazamento de memorando que beneficia Irã

Os termos de um memorando proposto para pôr fim à guerra no Golfo, divulgados por fontes ocidentais, paquistanesas e iranianas na sexta-feira, parecem favorecer fortemente o Irã. Este acordo Irã-EUA provocou críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou as informações como imprecisas. As negociações avançam, mas o documento ainda não é definitivo.

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O que aconteceu

  • Um memorando para um acordo Irã-EUA, com termos vazados por diversas fontes, indica grande favorecimento a Teerã.
  • O presidente Donald Trump criticou duramente os vazamentos, alegando que os termos são “imprecisos” e não refletem o que foi acordado.
  • O documento preliminar sugere a suspensão de sanções americanas e a liberação de bilhões em ativos para o Irã, com Israel expressando forte oposição.

As versões e relatos do memorando em questão foram fornecidos à agência Reuters por fontes ocidentais, paquistanesas (atuando como mediador) e iranianas de alto escalão. Detalhes do documento também foram amplamente publicados na mídia iraniana, ampliando a visibilidade dos termos propostos.

Todas as fontes envolvidas enfatizaram que o texto do memorando não é definitivo. Uma questão crucial a ser resolvida, segundo fontes ocidentais, iranianas e do Golfo, refere-se à linguagem sobre o fim das hostilidades no Líbano. Teerã, por sua vez, exige que Israel encerre sua campanha militar contra o Hezbollah, milícia aliada no país.

Termos que favorecem Teerã

Apesar de pequenas diferenças entre os relatos, todas as versões do memorando indicam a aceitação de termos centrais propostos por Teerã há dois meses. Essas condições haviam sido, até então, repetidamente rejeitadas por Washington em negociações presenciais iniciais.

Em uma publicação em sua rede social, o presidente Donald Trump não detalhou as imprecisões nas reportagens sobre o acordo. Contudo, ele declarou: “Os termos que o Irã vazou para notícias falsas não têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito”. Trump também afirmou que os iranianos são “pessoas muito desonrosas para se negociar”.

Concessões americanas e programa nuclear

Sob os termos descritos pelas fontes da Reuters, os Estados Unidos concordariam em fornecer imediatamente bilhões de dólares em ativos descongelados ao Irã. Além disso, as sanções às exportações de petróleo iraniano seriam suspensas. Em contrapartida, o Irã suspenderia o bloqueio ao Estreito de Ormuz, via marítima que esteve praticamente fechada desde o início do conflito.

Qualquer discussão sobre as exigências americanas relativas ao programa nuclear iraniano seria adiada por 60 dias para negociações de um acordo final. A única menção explícita à política nuclear, neste estágio, seria uma reafirmação do compromisso do Irã de não buscar armas nucleares, pacto assumido em 1970 ao ratificar o Tratado de Não Proliferação Nuclear da ONU.

Versões preliminares do documento também indicam que as principais concessões dos EUA incluiriam a discussão de centenas de bilhões de dólares em potenciais reparações de guerra para Teerã. Adicionalmente, Washington abandonaria antigas exigências de restrições ao programa de mísseis iraniano.

Anteriormente, Washington exigia que o Irã abandonasse seus estoques de urânio altamente enriquecido. No entanto, nenhuma das versões do texto analisadas pela Reuters menciona essa demanda, e fontes indicaram que ela foi explicitamente excluída do memorando provisório.

Quando e onde o acordo pode ser assinado?

Uma fonte ocidental informou que, havendo consenso sobre a redação final, o memorando poderia ser assinado já neste domingo. Os signatários seriam o vice-presidente americano, J.D. Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf. Genebra é, por enquanto, considerada a sede mais provável para a formalização do documento.

Israel fica de fora das negociações

Israel, que iniciou a guerra em conjunto com os Estados Unidos, foi excluído das negociações até o momento. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que seu país não participará do memorando proposto.

Benjamin Netanyahu tem manifestado repetidos conflitos com Donald Trump nas últimas semanas. A discórdia surge das exigências americanas para que Israel limite sua ação militar no Líbano, visando facilitar um acordo entre Washington e Teerã.

*Com Reuters