O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (31), em Nova York, um acordo considerado histórico entre Israel e Hamas para a Faixa de Gaza. O pacto prevê a retirada das forças israelenses do território palestino e o desarmamento completo do grupo fundamentalista Hamas, visando uma paz e segurança duradouras na região.
O que aconteceu
- Acordo Gaza prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, conforme anunciado por Donald Trump.
- As reações ao pacto são diversas: a União Europeia vê o plano como construtivo, mas complexo, enquanto Israel se mostra dividido.
- O Hamas confirmou o anúncio, mas condiciona o cumprimento das suas obrigações à adesão israelense, com a assinatura prevista para o Cairo.
Trump detalhou, em uma publicação na plataforma Truth, que o “Conselho da Paz” foi o articulador do “acordo histórico para o desarmamento completo do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza”. Ele classificou a iniciativa como um “passo monumental” para a estabilização da região. O ex-presidente acrescentou que, uma vez concluído o desarmamento, as forças israelenses se retirarão, e uma Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova polícia palestina para garantir a segurança em Gaza, beneficiando moradores e países vizinhos.
Ainda sem oferecer detalhes sobre os estágios de implementação, Trump, fundador do Conselho da Paz, afirmou que o acordo será executado por meio de fases planejadas.
Quais as reações ao anúncio de Trump?
A alta representante da União Europeia, Kaja Kallas, comentou o plano com cautela. “O plano para desarmar o Hamas em Gaza, se totalmente implementado, seria um passo construtivo em direção à paz. Mas muitas peças precisam se encaixar para que isso funcione”, ponderou Kallas, indicando a complexidade da situação.
Em Israel, a reação oficial foi de silêncio por parte do governo de Benjamin Netanyahu. No entanto, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou abertamente a medida, descrevendo-a como um “projeto de acordo inaceitável”.
Apesar das críticas e da falta de uma posição unificada, Trump buscou transmitir otimismo. Ele assegurou que Israel “realmente gosta” do acordo e que houve colaboração por parte do Estado judeu. Um alto funcionário dos EUA, em declaração ao Times of Israel, reforçou a expectativa de Washington. “Não estamos pedindo a Israel que faça nada que não esteja previsto no plano de 20 pontos com o qual concordaram inicialmente. Estamos muito confiantes de que eles o cumprirão”, declarou a autoridade sênior americana, alertando que, caso Israel não cumpra, “o presidente Trump ficará muito, muito decepcionado”.
Posição do Hamas e próximos passos
O Hamas, por sua vez, confirmou à agência AFP o anúncio feito por Trump. Contudo, Ghazi Hamad, membro da delegação nacional do grupo fundamentalista, em entrevista à Al Jazeera, deixou claro que a milícia “não tomará nenhuma medida se as forças de ocupação [israelenses] não cumprirem as obrigações estabelecidas no acordo”. Essa condição sublinha a fragilidade e as exigências recíprocas para a concretização do pacto.
Segundo a imprensa egípcia, o acordo deve ser assinado oficialmente pelas partes no Cairo “em meados da próxima semana”, indicando que os próximos dias serão cruciais para a formalização do que foi negociado.
Da IstoÉ com ANSA