Economia

Acordo comercial EUA-Reino Unido não terá futuro se ameaçar paz na Irlanda, diz democrata

Acordo comercial EUA-Reino Unido não terá futuro se ameaçar paz na Irlanda, diz democrata

Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi - AFP

Um acordo comercial entre os Estados Unidos e o Reino Unido não terá futuro se o Brexit enfraquecer o acordo de paz com a Irlanda do Norte, alertou nesta quarta-feira a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi Pelosi.

Pelosi, líder da oposição democrata ao presidente Donald Trump no Congresso, reagiu às declarações do assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, que durante uma visita a Londres disse na segunda-feira que o Reino Unido estaria “na linha de frente” para um acordo comercial com os Estados Unidos depois de deixar a União Europeia (UE).

“Se o Brexit prejudicar o Acordo da Sexta-Feira Santa, não haverá possibilidade de um acordo comercial entre os Estados Unidos e o Reino Unido ser aprovado no Congresso”, disse Pelosi em um comunicado.

Trump e os principais assessores do novo premier britânico, Boris Johnson, têm falado em acelerar um acordo comercial após a conclusão do Brexit e a Casa Branca anunciou nesta quarta-feira que o vice-presidente Mike Pence viajará ao Reino Unido e à Irlanda no início de setembro para discutir a expansão do comércio.

Qualquer acordo comercial alcançado pelos Estados Unidos deve ser ratificado pelo Congresso para entrar em vigor. Os democratas controlam a Câmara dos Deputados, enquanto os republicanos têm maioria no Senado.

Pelosi disse que os republicanos se uniriam aos democratas para se opor a um pacto comercial se o Brexit comprometer a paz na Irlanda do Norte.

“A paz do Acordo da Sexta-feira Santa é valorizada pelo povo americano e será defendida ferozmente de maneira bicameral e bipartidária no Congresso dos Estados Unidos”, disse Pelosi.

Assinado em 1998, o chamado Acordo da Sexta-feira Santa pôs fim a três décadas de violência na Irlanda do Norte, entre republicanos nacionalistas (católicos), defensores da reunificação da Irlanda, e sindicalistas leais (protestantes), defensores da manutenção da Coroa Britânica.

Como a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, compartilha uma fronteira com a Irlanda, que é membro da UE, observadores apontaram que o Brexit poderia exigir a reimposição de uma fronteira dura na ilha, colocando em risco o acordo que manteve a paz na Irlanda do Norte nas últimas duas décadas.

Como ambos os países são atualmente membros da UE, bens e pessoas circulam livremente através da fronteira.

O co-presidente republicano do grupo de Amigos da Irlanda no Congresso dos Estados Unidos, Pete King, disse ao jornal britânico The Guardian que colocar em risco a fronteira aberta era uma “provocação desnecessária” sobre a qual seu partido não hesitaria em desafiar Trump.

Com o novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, determinado a garantir que o Reino Unido deixe a UE em 31 de outubro, com ou sem acordo para regular a saída, chegar a um acordo comercial com o governo Trump se tornou mais importante para Londres.