Acesso, prevenção e estilo de vida são essenciais contra a infertilidade

A infertilidade atinge cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva ao longo da vida. A condição acomete homens e mulheres e é definida pela incapacidade de obter uma gestação após 12 meses de relações sexuais frequentes e sem proteção. Estima-se que atinja 15% dos casais no mundo, índice semelhante no Brasil.

Disfunções no sistema reprodutivo masculino representam entre 20% e 30% das causas. Já as do feminino respondem por 30% a 35% dos casos de infertilidade. E em 20% a 35% dos quadros, o homem e a mulher apresentam alterações. “Vale pontuar que em cerca de 10% a 30% das vezes, não se encontra a razão da infertilidade, enquadrando-se como infertilidade sem causa aparente”, explica o ginecologista José Pedro Parise Filho, especialista em reprodução assistida do Einstein Hospital Israelita.

No final de novembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou diretrizes inéditas para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade, com o objetivo de tornar o cuidado mais seguro, justo e acessível no mundo. O documento reúne 40 recomendações e chama atenção para um problema de saúde pública. “Uma diretriz global gera um impacto enorme porque dá respaldo técnico e político para ampliar o acesso aos serviços de infertilidade e cobrar qualidade na assistência”, afirma Parise Filho.

O acesso é um dos principais desafios no tratamento da infertilidade. Isso se deve, principalmente, aos custos elevados, que em muitos países recaem quase totalmente sobre os pacientes. No Brasil, por exemplo, um ciclo de reprodução assistida pode custar entre R$ 15 mil e R$ 45 mil, dependendo do local, da quantidade de medicação e do profissional.

Apesar da redução gradual dos preços ao longo dos anos, o tratamento ainda está fora do alcance da maioria da população. “Uma alternativa seria a inclusão desses procedimentos no rol da saúde suplementar ou no SUS, diluindo os custos na sociedade”, propõe o ginecologista. “No curto prazo, uma medida mais viável seria a redução ou isenção de impostos sobre insumos e medicamentos importados, o que ajudaria a baratear o valor final.”

Embora muitos conceitos do documento da OMS já sejam conhecidos, a principal inovação está na consolidação das recomendações e na ampliação do debate. “Se bem implementadas, essas diretrizes podem reduzir casos evitáveis de infertilidade e ajudar países e sistemas de saúde a oferecer uma abordagem mais ampla e efetiva”, afirma o médico do Einstein.

Prevenção e estilo de vida

Para evitar ou tratar a infertilidade, a diretriz orienta desde medidas simples, como educação reprodutiva, identificação do período fértil e promoção da saúde, até tratamentos mais complexos, como inseminação intrauterina e Fertilização In Vitro (FIV), quando houver indicação e interesse por parte do paciente.

A publicação também chama atenção para o sofrimento emocional, incluindo ansiedade, depressão e isolamento social. Na prática clínica esse impacto já é evidente. “O peso psicológico é grande. Muitos casais relatam sentimentos de inadequação e perda de controle sobre o próprio projeto de vida”, conta Parise Filho. “Por isso, cada vez mais trabalhamos com uma abordagem multidisciplinar, que inclui psicoterapia e, em alguns casos, práticas integrativas como acupuntura, yoga e meditação.”

Falar em prevenção, diagnóstico precoce e mudanças de estilo de vida também é essencial. Entre os principais fatores de risco para a infertilidade estão infecções sexualmente transmissíveis não tratadas, cirurgias pélvicas desnecessárias, adiamento da gravidez sem planejamento, tabagismo, sedentarismo e uso de anabolizantes. “Algumas causas, porém, estão presentes desde o nascimento, como doenças genéticas”, lembra o especialista.

Nos casos em que o problema está ligado a fatores modificáveis, adotar hábitos saudáveis é fundamental. “Mudanças simples, como alimentação equilibrada e atividade física, podem fazer diferença, especialmente em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Em alguns casos, o tratamento precoce da infertilidade também aumenta as chances de sucesso”, afirma Parise Filho.

Fonte: Agência Einstein

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