A ação que a cantora Daniela Mercury abriu contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou ontem à PGR (Procuradoria-Geral da República), após determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

No processo, Mercury acusa Eduardo de tê-la difamado ao publicar uma fake news em suas redes sociais. O filho de Bolsonaro havia compartilhado um vídeo editado no Twitter, depois excluído, em que a artista supostamente falava que Jesus Cristo era “gay, muito gay, muito bicha, muito viado, sim”.

Na verdade, ela se referia ao amigo Renato Russo. As imagens são de Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), em 2018. Durante a apresentação, Daniela criticou a retirada da peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” da programação do evento. O espetáculo tinha como protagonista uma atriz trans, Renata Carvalho, que interpretava Jesus. Na época, a peça foi alvo de protestos.

“Censurar uma peça de teatro por convicções religiosas é um absurdo. Isso não pode ser permitido, a nossa Constituição não deixa isso, a nossa Constituição não é a Bíblia. Eu sou de família católica e respeito profundamente, mas a nossa Constituição nos permite sim lidar com símbolos religiosos e falar sobre eles”, disse a cantora.

A artista conta ter falado com Renata por telefone e comenta que a atriz estava magoada. Irritada, Daniela diz que as críticas são “maldades”. “Ela é Jesus Cristo sim. Jesus Cristo, eu sou gay, eu sou lésbica, e daí?”, diz a cantora, que pede que a banda toque “Tempo Perdido”, interpretada por Renato Russo.

“Eu tô precisando de gente que não é careta, po***, tá chato pra car**** esse país de me***. Vai policiar a p*** que pariu (…)”, disse Daniela Mercury.

Cantando “Tempo Perdido”, ela brada: “Meu amigo Renato Russo era gay, gay, muito gay! Muito bicha! Muito viado sim!”.

O vídeo da apresentação de Daniela no Festival de Inverno de Garanhuns tem 5 minutos, já o editado, compartilhado por Eduardo Bolsonaro, tinha apenas 19 segundos.