A Academia de Medicina francesa se inclina para a teoria de que o vírus da covid-19 se originou em um laboratório, de acordo com um novo relatório publicado nesta quarta-feira (2), no qual a teoria da origem natural não lhe parece convincente.
A hipótese de transmissão natural é sustentada particularmente pela detecção de amostras genéticas no mercado de Wuhan, sugerindo que certos animais, os cães-guaxinins – pequenos carnívoros também conhecidos pelo nome japonês, tanuki -, podem ter servido como intermediários entre o morcego e o humano.
Os defensores da hipótese do laboratório, especialmente popular entre as agências de inteligência dos Estados Unidos, apontam que o SARS-CoV-2 possui elementos únicos, ausentes em outros coronavírus existentes na natureza, que podem aumentar sua transmissibilidade.
Esses pontos – e outros – são lembrados pela Academia em seu texto, que na realidade apenas resume o debate dentro da comunidade internacional.
Porém, seu relatório se inclina mais para a teoria do vazamento de laboratório em vários aspectos. Essa hipótese é, segundo a instituição, “apoiada por um conjunto de fatos e argumentos”.
A Academia não utiliza essas expressões para a hipótese natural, limitando-se a ressaltar que não há elementos que permitam uma conclusão definitiva a seu favor.
Esse desequilíbrio também aparece nas recomendações da Academia, que enfatizam a necessidade de controlar melhor as pesquisas laboratoriais em vez do surgimento de patógenos perigosos em animais.
“Talvez nunca saibamos a origem da pandemia”, admite a Academia. Mas em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, a virologista Christine Rouzioux, professora emérita de virologia no hospital Necker, considerou que “certamente há mais argumentos” para a hipótese laboratorial.
No entanto, isso não deve ser interpretado como uma “posição” definitiva, explicou.
O relatório da Academia gerou forte oposição de outros cientistas franceses que apoiam a origem natural, como a pesquisadora Florence Débarre, que supervisionou o estudo com cães-guaxinins.
“Este relatório é cientificamente deficiente”, disse a pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas. É um texto que beira o “papo de bar com teorias da conspiração” e “indigno da instituição que o publica”, criticou.
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