Eleitores brasileiros estão cada vez mais desiludidos e deixam de votar, ano após ano, por se sentirem exaustas e solitárias, aponta a Pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada pela Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha. O estudo inédito, divulgado esta semana, relaciona a ausência de vínculos comunitários e de contato com a natureza ao desinteresse na política, explicando assim a ausência nas urnas.
- Escala 6×1: 67% apontam que jornada piora saúde mental, diz pesquisa.
- TSE vai enviar alertas no e-Título com orientações para eleições.
- Campanha incentiva voto de quem tem mais de 70 anos.
A pesquisa Termômetro do Bem Viver aponta que a abstenção eleitoral no Brasil é motivada por exaustão e solidão dos eleitores.
- Cerca de 30 milhões de eleitores deixaram de votar nos últimos pleitos, impulsionados pela epidemia de solidão e esgotamento mental.
- Jovens de 18 a 34 anos são 44% dos “desvinculados”, indivíduos que votam raramente ou desistiram de participar das eleições.
Cerca de 30 milhões de eleitores, praticamente um em cada três, deixaram de votar nos últimos pleitos. Por trás dessa abstenção, em geral, a pesquisa encontrou o que chamou de epidemia de solidão, esgotamento mental e dependência digital.
Por outro lado, o estudo revelou que os brasileiros que possuem vínculos comunitários consideram a democracia inegociável, mostrando uma clara distinção no comportamento eleitoral.
“Descobrimos que os “desvinculados” estão em ciclo muito destrutivo”, explicou a diretora do Projeto Desapocalíptica, do Avaaz, Nana Queiroz.
Segundo Nana Queiroz, esse público busca a TV e as redes sociais “como uma espécie de anestesia para essa exaustão”. Ela pontuou que as redes sociais no país mantêm pessoas em “bolhas” – círculos de usuários com opiniões semelhantes – além de alimentar “uma cultura de ódio”.
Nesses casos, as pessoas se sentem mais isoladas, desesperançosas ou culpadas por perderem tanto tempo nas redes sociais ou da TV. “Quando essas pessoas se veem assim culpadas, exaustas e isoladas, elas acham que elas não têm poder de transformar o coletivo e é por isso que elas estão parando de votar”, analisou Nana Queiroz.
Quem são os “desvinculados”?
Quase metade dos brasileiros identificados com esse comportamento (47%) foram classificados na pesquisa como “desvinculados”. Segundo a investigação, são indivíduos que já deixaram de votar ou votam raramente. Três em cada dez desistiram totalmente de votar por essa falta de vínculo.
A juventude é quem mais se encaixa neste perfil. De acordo com a Termômetro do Bem Viver, os jovens entre 18 e 34 anos representam 44% dos desvinculados, sinalizando a necessidade de ação. Apenas dois a cada dez jovens afirmam ter uma conexão comunitária e se sentir bem.
Nana Queiroz chama atenção para as jornadas de trabalho extenuantes, como a escala 6×1, que reduzem o tempo de lazer e a oportunidade de cultivar uma rede de contatos e vínculos sociais.
Como estimular o bem viver e o voto?
Para recuperar o vínculo desses eleitores, a recomendação é desenvolver as chamadas políticas de Bem Viver. Essas são ações que promovem o contato com a natureza, acesso à cultura, lazer e a cidades mais acessíveis, no geral, cita Nana Queiroz.
“Dar bom dia para uma pessoa na padaria já influencia o seu nível de felicidade”, informou a diretora.
O contato com o meio ambiente é visto ainda como restaurador da saúde mental, principalmente em casos de ansiedade e tédio dos mais jovens. Ações para conter a dependência digital também são necessárias.
De acordo com Nana Queiroz, um exemplo bem-sucedido é o ECA Digital, que enfrentou o design viciante das plataformas, a rolagem infinita e os conteúdos inadequados para crianças e adolescentes.
“Se você quiser reconquistar essas pessoas, trazer às urnas, é preciso criar políticas que alterem a vida real delas, para que sintam que o voto tem um impacto real na vida delas”, frisou a diretora do Projeto Desapocalíptica.
A Termômetro do Bem Viver foi realizada com base em metodologia estrangeira, propondo olhar indicadores de qualidade de vida menos frequentes nas pesquisas com enfoque econômico e que investigam mais o acesso ao consumo, conforto material e o próprio desempenho da economia.
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