Cultura

Abre em Londres a maior exposição de mangás fora do Japão

Abre em Londres a maior exposição de mangás fora do Japão

Exposição sobre mangás no British Museum de Londres, em 22 de maio de 2019 - AFP

A maior exposição dedicada aos mangás fora do Japão abriu suas portas nesta quinta-feira no Museu Britânico de Londres, propondo uma viagem desde as raízes tradicionais desta arte até uma indústria que hoje move bilhões de dólares.

“O mangá é a forma narrativa mais popular hoje em dia”, afirmou Hartwig Fischer, diretor do British Museum, durante a apresentação da “Citi Exhibition Manga”.

A mostra segue a evolução dos mangás, dos espetaculares desenhos de grandes artistas japoneses como Katsushika Hokusai (1760-1849) a fenômenos mundiais como os Pokémon e os filmes de animação do estúdio Ghibli, premiados no Oscar.

“Há algo nos mangás que faz com que sejam especiais”, considera Nicole Rousmaniere, curadora de artes japonesas. “É a linguagem visual que transmite o conteúdo muito, muito rapidamente. Isto se deve ao poder da linha”.

“Acredito que tem a ver com o fato de que no Japão, quando você faz caligrafia, quando olha para os caracteres, seu cérebro já está condicionado a ter esse conteúdo pictórico”, aponta.

Os visitantes podem aprender como ler corretamente um mangá – palavra japonesa que pode ser traduzida como “desenho inacabado”, “exagerado” ou inclusive “caricatura” – mas também admirar os delicados esboços do famoso “Dragon Ball” ou descobrir a influência do “pai do mangá” Osamu Tezuka (1928-1989), criador de personagens tão emblemáticos como Astro Boy ou a Princesa e o Cavaleiro.

– “Na vanguarda” –

Outras obras são mais cruas, viscerais, e exploram temas mais complexos.

“Trata-se de contar histórias para muita gente que tem a impressão de que suas histórias não são contadas”, afirma Rousmaniere.

Os mangás “sempre estiveram na vanguarda, desenhados por gente que se sentia um pouco diferente (…). Não é necessário ter dinheiro para poder desenhar um mangá, pode-se fazer em um pedaço de papel, muita gente o fez”.

Entre os artistas expostos está Gengoroh Tagame, um dos mais influentes criadores de mangás gay, conhecido por suas representações gráficas de sadomasoquismo.

“O mangá é um meio de comunicação muito casual, de modo que lê-lo é muito fácil (…) e usar o mangá para mostrar temas sociais tem muita força”, diz o artista à AFP.

Refutando ainda mais a ideia de que os desenhos estão dirigidos apenas às crianças, também há obras dolorosas sobre o bombardeio nuclear de Hiroshima e o terremoto de Kobe de 1995.

Em um registro mais leve, os visitantes podem posar para serem retratados, graças a uma imagem digital, em vários estilos de mangás.

Em 2016, esta indústria somou uma cifra de negócios mundial de 3,8 bilhões de dólares (3,4 bilhões de euros) e sua popularidade não para de aumentar graças a franquias que combinam diferentes plataformas, desde o comic até o cinema, passando pelos bonecos de coleção e pelas fantasias.

Cada vez mais, também os internautas utilizam os personagens de mangás como avatares para criar identidades virtuais. “Existe um mangá para cada um, literalmente para cada tema”, afirma Rousmaniere.

Mas a possibilidade de criar mangás digitais se tornou hoje uma ameaça para os fãs dos mangás tradicionais, e a curadora se preocupa: “Acredito que o desenho feito à mão acabará desaparecendo”.