Abel cita turbulências e diz que derrotas não afetam Palmeiras na final: ‘É um jogo único’

A um dia de disputar sua terceira final de Libertadores, Abel Ferreira deixou claro que, para ele, a queda no Brasileirão, com cinco tropeços seguidos, não vai influenciar o desempenho dos jogadores na decisão continental contra o Flamengo, marcada para este sábado, às 18h (em Brasília) no Monumental de Lima, no Peru.

“Sinceramente, não me levem a mal, mas uma coisa é o Brasileirão, o gramado brasileiro, a CBF. Outra coisa é a Libertadores”, afirmou o treinador português em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira, véspera da decisão.

“O adversário é o mesmo, nos conhecemos, mas é um jogo único, completamente diferente. Ficamos em primeiro na classificação geral. Não tenho dúvidas que chegamos com mérito. Estamos falando da Libertadores”, argumentou.

O treinador se contradisse quando afirmou que não prepara nenhuma estratégia capaz de surpreender o Flamengo, mas que a surpresa pode ser a versatilidade de alguns de seus atletas.

Abel gosta de jogadores que atuam em várias posições. A surpresa pode ser a dinâmica dos jogadores dentro do nosso processo. Vocês sabem que temos jogadores que jogam em mais de uma posição. Amanhã vocês saberão o que poderemos fazer.

Ele se refere, possivelmente, a Bruno Fuchs, zagueiro que pode jogar como volante ao lado de Andreas Pereiras. É uma possibilidade considerável, já que os volantes Aníbal Moreno e Emiliano Martínez não têm sido confiáveis.

Turbulências e reformulação foram as palavras que mais vezes mencionou o português na entrevista para justificar a sequência ruim que tirou do Palmeiras o título brasileiro. Essa, na avaliação do técnico, foi a temporada mais acidentada graças às mudanças no elenco, entre muitas saídas e chegadas.

“Foi um ano duro, passamos por muitas turbulências. Uma grande reformulação no nosso elenco, a maior de todas. O clube é assim e vai funcionar assim. Vendemos o Estêvão e o Ríos e continuamos competindo pelos títulos. Falei que era preciso criar uma cultura vencedora, um espírito vencedor de novo. Isso foi o mais difícil, mas conseguimos criar. São essas turbulências que nos fazem crescer”, disse o técnico.

“Nosso rival é cascudo, experiente. Nossa equipe é jovem e irreverente. Tem presente e muito futuro. Tem potencial. Essa equipe já demonstrou o que é capaz de fazer”, acrescentou. “Os detalhes podem fazer a diferença.”

Depois de vencer duas Libertadores, o português diz não alterar sua rotina antes de partidas decisivas. “Não vou fazer coisas que não faço. Vou dormir como sempre faço quando tenho minha consciência tranquila de que fiz o melhor que podia.”

Gustavo Gómez é o capitão e seguramente será titular. Mas foi Weverton que falou ao lado de Abel na coletiva. Um dos líderes do elenco, o goleiro sofreu uma fissura em um dos dedos da mão no mês passado e é improvável que jogue. Existe a chance de estar no banco de reservas.

Ninguém gosta de ficar fora. A lesão é o pior momento de um jogador. A partir do momento em que me lesionei, a minha função era, claro, me recuperar, mas também fazer meu papel de líder, de ajudar com minha experiência”, disse o acreano de 37 anos, bicampeão da Libertadores.

Weverton, Abel, Gómez, Piquerez e Raphael Veiga são os únicos remanescentes do último título continental conquistado, em 2021, sobre o Flamengo. “É uma alegria poder ajudar e estar diante de mais uma oportunidade de conquistar a América. Sabemos o quanto isso marca nossa vida.”