Economia

AB InBev avalia vender ativos para reduzir dívida, dizem fontes

AB InBev avalia vender ativos para reduzir dívida, dizem fontes

A empresa AB InBev, de capital belga e brasileiro, quase dobrou o lucro líquido no terceiro trimestre na comparação com 2016, e prevê um bom fim de ano - BELGA/AFP/Arquivos

A Anheuser-Busch InBev estuda vender unidades de seu negócio na Coreia do Sul, na Austrália e na América Central para reduzir seu grande endividamento. A companhia avalia isso no momento em que busca uma estratégia alternativa, após cancelar a listagem de ações de seu negócio asiático, de acordo com fontes ligadas ao assunto.

Os negócios na Coreia do Sul e na Austrália, que produzem cervejas populares como a Cass e a Victoria Bitter, eram partes importantes da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações na Ásia. A cervejaria agora espera levantar pelo menos US$ 10 bilhões com a venda de ativos, disseram as fontes.

A companhia de private equity KKR & Co. se aproximou em maio da AB InBev para sondar sobre a compra de alguns de seus ativos na Ásia, disseram algumas das pessoas ouvidas. Anteriormente, a KKR havia comprado o negócio coreano e o vendeu de volta à AB InBev em 2014 por US$ 5,8 bilhões. Também em maio, a cervejaria japonesa Asahi Group Holdings demonstrou interesse em comprar o negócio australiano da AB InBev, disse outra das fontes.

A AB InBev, que produz uma em cada quatro cervejas vendidas pelo mundo, detém centenas de marcas em dezenas de países, após uma série de compras globais de marcas como Budweiser, Stella Artois e Corona. Mas esse movimento também levou a companhia a ter mais de US$ 100 bilhões em dívida, em um momento de desaceleração global na venda de cervejas.

Na semana passada, a AB InBev cancelou um IPO na Ásia, que buscaria levantar quase US$ 10 bilhões, citando as condições de mercado. Esse, que teria sido o maior IPO do ano, tinha como objetivo principal reduzir o endividamento da empresa. De qualquer modo, a companhia almeja levar sua dívida para cerca de US$ 80 bilhões, disse uma das fontes, um nível no qual ela pode continuar a fazer aquisições e investimentos de capital, sem correr o risco de perder o grau de investimento atribuído pelas agências de rating, disseram as fontes consultadas.

Outra alternativa seria realizar um novo corte no dividendo, que já foi reduzido pela metade no último outono nos EUA, mas alguns integrantes do conselho relutam em fazer isso, disseram as fontes. A companhia atualmente paga cerca de US$ 4 bilhões em dividendos anuais. As unidades que podem ser vendidas – na Coreia do Sul, Austrália, Guatemala e Honduras – são atrativas aos compradores porque têm grande fatia de mercado e geram dinheiro. Ao mesmo tempo, não estão em mercados de alto crescimento, com isso a venda não prejudicaria as perspectivas de crescimento da empresa, disseram as fontes. Fonte: Dow Jones Newswires.