PANDEMIA * 2020

A xenofobia contra os chineses

Postagens ofensivas de ministros do governo e declarações agressivas dos filhos do presidente expõem a orientação ideológica errática da diplomacia brasileira: relações comerciais com a China estão em risco

Crédito:  Carolina Antunes/PR

Diplomacia

O viés ideológico que caracteriza a política externa brasileira desde o início do governo Bolsonaro dá mostras de que a insensatez dos responsáveis pela nossa diplomacia coloca em risco os negócios do País no exterior, sobretudo com a China, nosso maior parceiro comercial. A mais recente barbeiragem das autoridades brasileiras em relação ao país asiático partiu do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e pode levar o Brasil a perder milhões de dólares. De forma imprudente, Weintraub ridicularizou os chineses. Em uma live na sua página do Instagram, no domingo (5), o ministro previu outra epidemia na China por causa dos hábitos alimentares locais: “(Os chineses) Comem tudo que o sol ilumina e algumas coisas que o sol não ilumina comem também.” Um dia antes, no Twitter, ele fez chacota com a população do país que corresponde a 30% das exportações brasileiras. Em uma postagem caricata e usando o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica – que troca a letra R pelo L -, ele acusou os chineses de terem um plano para dominar o mundo por meio da disseminação da Covid-19.

“Cunho racista”

O governo chinês reagiu com contundência, dizendo que as declarações do ministro eram “absurdas e desprezíveis, com cunho fortemente racista”. Para a Embaixada da China no Brasil, esse tipo de comentário, que tem se tornado frequente por parte das autoridades brasileiras, “tem causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”. Traduzindo a mensagem diplomática: o Brasil pode sair prejudicado. Afinal, essa postura agressiva em relação aos chineses não se limita ao ministro, que mal sabe escrever em português.

PERIGO Araújo tem referendado os ataques “à ideologia maoísta” da China (Crédito:Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em março, logo depois de voltar de uma viagem aos Estados Unidos, onde acompanhou o pai em um jantar com o presidente Donald Trump, em Miami, o deputado Eduardo Bolsonaro disse que o coronavírus foi criado em laboratório pelo Partido Comunista da China para infectar a humanidade. A embaixada chinesa, como agora, também mostrou-se indignada e respondeu que o filho do presidente havia “contraído um vírus mental” nos EUA. Por tudo isso, as relações diplomáticas entre os dois países nunca estiveram tão estremecidas. E o Brasil já está perdendo negócios importantes com os chineses. Na semana passada, uma grande quantidade de equipamentos médicos que o Brasil havia comprado da China, como ventiladores mecânicos, máscaras e luvas, foi desviada para os EUA. O Brasil está perdendo, também, muitos contratos de exportação de soja, já que os chineses estão preferindo comprar o produto dos americanos. A soja é o principal item da balança comercial brasileira.

“As absurdas declarações das autoridades brasileiras têm causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil” Embaixada da China no Brasil

Tudo isso demonstra que a diplomacia brasileira trocou os pés pelas mãos, substituindo o tradicional pragmatismo pela intolerância. E sempre com a tutela do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que tem endossado esses ataques virulentos.

Ele, no entanto, diz que a questão com a China não está relacionada a uma maior aproximação com os EUA, como afirmam seus críticos. “Não é uma questão da China em si como governo. É sobre a ideologia maoísta”, diz Araújo. Mas o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, explica que é necessário o País não ter alinhamento automático com nenhum país especificamente: “O Brasil tem que defender seus interesses acima das ideologias e não tomar partidos em nenhuma disputa entre EUA e China”, afirmou Barbosa.

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