Comportamento

A volta do metal

Para os vacinados, chegou a vez de brilhar — literalmente. Os principais estilistas do mundo apostam no ouro, na prata e nos cristais para trazer vida para um futuro sem vírus e em festa

Crédito: GABRIEL REIS

INJEÇÃO DE ÂNIMO A influenciadora digital Thai de Melo vê no brilho uma forma de melhorar o humor (Crédito: GABRIEL REIS)

Os moletons confortáveis — ou a chamada “Moda Pijama” — que ditou o comportamento do primeiro ano da pandemia estão com os dias contatos. As semanas de moda, o verão europeu e os últimos tapetes vermelhos, como o do baile de Gala do Museu Metropolitan, não deixam dúvida: o metal está de volta. As peças metalizadas já invadiram o Hemisfério Norte e devem aparecer no País de forma massiva em breve: nos tecidos, nos acessórios, nas maquiagens e nos esmaltes.  Assim como a agulha das vacinas contra a Covid-19, os metais, sejam eles acinzentados, dourados ou acobreados, com os respectivos brilhos que produzem, são uma forma de libertação do convencional, uma maneira de chamar a atenção para si mesmo.

O estilista Tom Ford ao apresentar a sua coleção na semana de moda de Nova York apostou no exagero de combinações para provar seu ponto — tecidos coloridos que refletem a luz, presilhas brilhantes no cabelo, no pescoço e nos pés. Ao escrever sobre a sua coleção, Ford disse que ela “aparecia demais” ao mesmo tempo em que questionava: “Mas quando é demais ou o suficiente?”. O estilista norte-americano afirmou ainda que as roupas atuais são feitas para serem fotografadas e vestidas por uma geração que quer ser vista, não só nas ruas, mas também nas redes sociais. “As peças fotogênicas de hoje, por sua própria natureza, não são nada tímidas. Minhas roupas dessa temporada são simples no corte, mas não no impacto”, definiu. Sair de casa após a vacinação é possível – pequenos casamentos começam a acontecer e até as festas já estão liberadas. No Reino Unido, por exemplo, as boates funcionam normalmente, já que a taxa de vacinação é alta e há pouca resistência aos imunizantes.

Antes de pensar que esse estilo não é para você, lembre-se de que o que é visto nas passarelas, muitas vezes, é um exagero de uma tendência que será repetida à exaustão pelo varejo. “É possível entrar nessa ideia aos poucos, apostar nos cintos brilhantes ou com fivelas grandes, no relógio dourado, nos óculos, seja no reflexo prateado das lentes ou nas hastes metálicas”, diz a especialista em moda e influenciadora digital Thai de Melo Bufrem. Para ela, o metal é um estilo de vida e algo que a faz ficar “alto astral”. Recentemente, após ser assaltada, Thai decidiu pegar um vestido dourado, uma sandália e uma bolsa prateada da Prada, grife italiana comandada por Miuccia Prada, para “dar uma animada”. Ela publicou uma foto com o visual para os seus 122 mil seguidores no Instagram. “Queria acabar com o mau humor da situação e consegui”, diz. “Sempre que tenho um problema, ou passo por uma situação estressante, coloco um batom vermelho e me encho de dourado”.

Se o preto é a roupa do luto, o prateado é a do futuro. Em formato de tecido, ganhou fama com a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética a partir do final da década de 1950. Imaginava-se que, no futuro, usaríamos roupas diferentes de tudo que era conhecido. A atriz norte-americana Jane Fonda virou febre em 1968 ao encarnar “Barbarella”, no filme de ficção-científica de mesmo nome. Ao alvorvir do século 41, a personagem usava botas de cano alto prateadas com um maiô futurista no mesmo tom. O movimento “disco” dos anos 1970 recuperou esse brilho e adicionou outros.

Diversas culturas no decorrer da história da humanidade usaram os metais para adornar os seus corpos, seja como Cleópatra, no Egito, ou como os monarcas europeus e suas poderosas coroas. Ou seja, iluminar o visual não é novidade e as bijuterias são acessíveis no preço.  Contudo, chamam a atenção os novos tênis e mochilas da linha masculina da francesa Louis Vuitton que são prateadas e fogem do tradicional marrom da marca. Há na moda – e na maneira como a sociedade se comporta – um sentimento de sair de situações difíceis rompendo paradigmas. Depois da Gripe Espanhola e da Primeira Guerra, vieram os vestidos curtos e cheios de brilho da Era do Jazz, depois da Segunda Guerra, surge Elvis Presley e o rock. Até o movimento punk dos anos 1980 abusou dos “spikes” de metal nos cintos e nas calças para mostrar a sua valentia. Hoje, esses detalhes são marca registrada da luxuosa Valentino que os chama de “studs”, uma mistura de pregos com botões. Com a chegada da primavera e do verão, será possível ver até biquínis e maiôs reluzentes – como os da Barbarella – pelas praias do Brasil. Se o País alcançar uma alta porcentagem de imunização e conseguir controlar a pandemia, o brilho só deve dar descanso depois do Carnaval.