Edição nº2556 14/12 Ver edições anteriores

A vez da indústria?

Recentemente, o Brasil voltou à capa da revista britânica “The Economist” de forma não muito lisonjeira. Impossível não lembrar da icônica capa com o Cristo Redentor voando alto, com o título “Brasil Decola”, em 2009.

De lá para cá, submergimos. Razões não faltaram. Uma delas foi a desindustrialização a que o País foi submetido pelos governos de Lula e Dilma. De 2004 a 2016, a indústria brasileira ficou para trás do varejo em todos os anos, sem nenhuma exceção. Nesse período, diversas medidas foram tomadas para incentivar o consumo, mas nada foi feito para incentivar a produção no País.

Com mais crédito disponível, as pessoas foram às compras, inicialmente aumentando as vendas das empresas, as contratações e os salários. Com a alta dos salários, subiram os custos de produção por aqui. Sem medidas para aumentar a produtividade que pudessem compensar esse efeito, as fábricas foram fechando. Era mais barato trazer os produtos de fora do Brasil do que produzi-los aqui. O consumo crescia, mas a produção não acompanhava.

Como bem ilustra a famosa fábula da cigarra e da formiga, um País não pode eternamente consumir mais do que produz. Inevitavelmente, com o fechamento das fábircas e a consequente destruição dos empregos, o Brasil entrou em uma uma crise econômica. A crise causou uma alta do dólar — que encareceu os produtos importados — e um enorme aumento do desemprego — que derrubou os salários, reduzindo o custo de produção e, temporariamente, restaurando a competitividade dos produtos feitos aqui.

No ano passado veio a Reforma Trabalhista, que reduziu significativamente o número de processos trabalhistas e, por consequência, os custos jurídicos para as empresas, permitindo que elas pudessem pagar mais aos trabalhadores, gastando menos por conta da redução dos seus custos com a Justiça Trabalhista. Resultado? A indústria superou o comércio pela primeira vez em 14 anos.

Se o próximo governo for capaz de tomar novas medidas que reduzam o custo de produção, como a Reforma Tributária, a desburocratização, incentivos à automação, a redução da máquina pública e a melhora da infraestrutura e da educação, o Brasil pode voltar à capa da “The Economist”. Nesse caso, o foguete do Cristo Redentor teria dois motores — o do consumo e o da produção; bem melhor do que o motor solitário do consumo, que acabou ficando sem combustível logo depois da capa de 2009.

Um país não pode eternamente consumir mais do que produz.
Com o fechamento das fábricas e a consequente destruição
dos empregos, o Brasil entrou em uma uma crise econômica

Tópicos

Ricardo Amorim

Mais posts

Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.