Edição nº2543 14/09 Ver edições anteriores

A universidade precisa se reinventar

Chegar ao ensino superior é ainda o maior objeto de desejo dos jovens em todo o mundo. A grande questão que se coloca é: de que universidade esses jovens precisam? De uma universidade tradicional, estruturada em blocos rígidos de disciplinas que produzem conhecimentos para uma determinada profissão, ou de uma universidade que promova o seu desenvolvimento pleno para a vida?

Parece-nos que a primeira ainda é o modelo vigente na maioria das instituições de ensino superior. Algumas até procuram fazer um certo esforço para ampliar a flexibilidade curricular, permitindo que o aluno curse um certo número de disciplinas eletivas – de livre escolha. Mas isso nos parece absolutamente insuficiente para o mundo do trabalho 4.0. Estamos diante de mudanças profundas nesse novo ambiente do trabalho.

Um estudo da consultoria global McKinsey & Company sobre o futuro do trabalho revela que mais de 30% das atividades de seis em cada dez trabalhos podem ser automatizadas. Num cenário mais modesto, até 2030 isso poderá impactar a atividade laboral de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é que o efeito da automação atinja cerca de 16 milhões de brasileiros!

Já ouvi de algumas pessoas que isso é um pouco de exagero. A verdade é que muitos jovens estão perdendo postos de trabalho porque não estão preparados para enfrentar as mudanças cada vez mais frequentes nesse novo ambiente capitaneado pela automação dos processos industriais, que afeta não apenas as áreas vinculadas às tecnologias, mas todas, sem exceção. Isso porque o que está em jogo é a necessidade do desenvolvimento de novas competências, que há décadas atrás não eram tão relevantes para o acesso a um posto de trabalho.

Naquele ambiente passado, as competências cognitivas prioritariamente dominavam as exigências para tal acesso. Hoje, não é mais assim. O domínio das linguagens, da matemática e das ciências não deixou de ser importante, mas hoje é apenas o ponto de partida, e não mais de chegada. O que hoje se exige dos jovens são competências vinculadas à criatividade, ao pensamento crítico, à abertura ao novo, ao protagonismo, à comunicação e ao trabalho em equipe, entre outras.

Isso significa dizer que a educação em todos os seus níveis de formação, do ensino básico ao superior, passando pela educação continuada, precisa oferecer um novo ambiente de aprendizagem capaz de preparar os jovens para o mundo do trabalho 4.0, que exige pessoas plenamente desenvolvidas ao longo de todo o seu percurso de vida. O diploma de nível superior ainda é importante; no entanto, o que se procura hoje são pessoas preparadas para enfrentar o dinamismo desse novo ambiente laboral.

No que se refere à educação básica, esse panorama se reflete na própria estruturação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), baseada em dez competências, mostradas de forma simplificada na tabela abaixo:

A implementação da BNCC, relativa à educação infantil e ao ensino fundamental, já começa a ocorrer nas redes estaduais e municipais de ensino. Porém, é importante que a universidade também repense o seu modelo tradicional de ensino e de estrutura curricular, não só para se articular melhor com a educação básica, mas também na perspectiva de continuar a ser o maior objeto de desejo dos jovens.


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