Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Que ninguém duvide que a tônica desta segunda edição especial do Anuário ISTOÉ, que traz em suas páginas o ranking das melhores cidades do Brasil, é a pandemia do Coronavírus, inimigo oculto que devastou cidades, estados, países, o mundo, e aqui é citada por dez entre dez prefeitos ou secretários entrevistados para o Especial, e que não poupou um sequer dos 5565 municípios do País, 5570 se contarmos os cinco recentemente emancipados.

Neste período, mergulhados em cenário de incertezas, gestoras e gestores se viram às voltas com problemas profundos em todos os setores, a começar pela saúde e educação, agindo individualmente e com muita pressa para tentar mitigar – com os recursos disponíveis – o rombo inesperado em seus caixas. Foi um tempo em que, não raro, famílias inteiras perderam seus empregos, planos de saúde foram deixados de lado, pais tiraram seus filhos de escolas particulares, afora os gastos astronômicos para o combate à pandemia, sem contar todas as demais despesas.
Todos se uniram e, em 2021, sob a liderança da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), passaram a contar com o Consórcio Conectar, por meio do qual mais de dois mil municípios, congregados, instituíram o maior consórcio de saúde do País.

Este sem dúvida é um exemplo positivo dentro do quadro tenebroso que “engoliu” o Brasil nos dois anos de pandemia, mas há outros. Curiosamente, no mesmo período as cidades viram aumentar muito suas receitas de ISS, especialmente por conta dos trabalhos de delivery, e também de contratação de sistemas de streaming, de comunicação de dados. “Houve uma certa compensação”, diz Alex Agostini, responsável pela pesquisa que norteia este trabalho.

Segundo ele, tal informação lhe foi dada pelo gestor da unidade de Governo e Finanças de Jundiaí, José Antonio Parimoschi, que se revelou surpreso com o aumento de receita de ISS, por conta de abertura de empresas e serviços delivery. “O trabalho da Austin tende a captar este quadro para os outros municípios, porque nele se avalia as questões fiscais de cada um”, explica Agostini, adiantando que a ideia é avaliar não só as cidades em 2021, como também nos últimos 10 anos. “Entender como os municípios se comportaram na gestão fiscal e não só na pandemia, como nas crises que vieram ao longo da década, como em 2015 e 2016; com a paralisação dos caminhoneiros, em 2018, enfim, como se comportaram e quais municípios se saíram melhor nas gestões nesta última década, muito conturbada para o Brasil, que cresceu em média apenas 0,4% ao ano neste período. O mundo cresceu 3%, os emergentes prosperaram 4,5,%, os próprios desenvolvidos aumentaram até mais que isso: 1,2%. Em suma, numa década de baixo crescimento no Brasil, como os municípios e como os gestores se saíram”, resume Agostini.
Neste Anuário, ISTOÉ, por meio da pesquisa realizada pela Austin Rating, faz este retrato do Brasil nos pilares afetados diretamente pelas políticas públicas – Fiscal, Econômica, Social e Digital -, trazendo ainda em suas páginas as cidades campeãs gerais de grande, médio e pequeno porte, assim como todas as outras que venceram nos quatro grupos e respectivos subgrupos.

Os 5565 municípios além de serem classificados em um ranking geral — que engloba todas as cidades brasileiras — foram categorizados e premiados de acordo com seu porte, ou seja, conforme o tamanho de sua população, no período em que a pesquisa foi feita, da seguinte forma:

GRANDE PORTE
Acima de 200 mil habitantes

MÉDIO PORTE
De 50 mil a 200 mil habitantes

PEQUENO PORTE
Até 50 mil habitantes

A pesquisa traduz como os municípios se comportaram e quais se saíram melhor nesta última década em que o País cresceu apenas 0,4%, na média anual – o crescimento mundial foi de 3%