A turma e a coisa

Faz algum tempo que cobram (sujeito indeterminado) a população de alguma atitude diante de tudo que estamos passando no País.

E a população, por sua vez, não faz nada além de cobrar alguém (sujeito indeterminado) alguma atitude diante de tudo que estamos passando no País.

Dizem (idem) que está todo mundo com medo de sair às ruas e expor sua indignação com a situação atual por causa da pandemia.

Isso explicaria porque, com parte da população vacinada, uns poucos milhares decidiram ocupar as avenidas nos últimos sábados. Mas ainda é muito pouco. É necessário acordar.

Não vou dizer que é necessário derrubar o governo, porque isso é consequência de decisões maiores do que manifestações ou a vontade popular.

Mas que é preciso chacoalhar a árvore do poder para ver se caem umas jabuticabas, ah, isso é.

Só que ao contrário da maioria dos comentários sobre a ausência de um movimento mais articulado, não acredito que a culpa seja da pandemia ou da falta de panelas para se bater nas janelas.

Acho que o Brasil atual sofre de uma inédita desconexão, de uma ruptura, entre a Turma e a Coisa.

A ideia de Turma e Coisa é uma teoria muito complexa que venho desenvolvendo ao longo dos últimos anos que pretendo publicar numa monografia.

Uma teoria que, acredito, no futuro será uma cadeira da faculdade de Sociologia.

Teremos professores de Turma & Coisa vocês verão.

Permitam-me elaborar.

Turma é a galera. O pessoal. No caso dos políticos, eleitores ou apoiadores.

Já a Coisa é tudo aquilo que uma Turma faz em conjunto.

O churrasco de domingo, um luau na praia, uma partidinha de society ou uma ida à manicure.

Um membro de uma Turma só precisa dizer:

– E aí galera, vamos agitar a Coisa?

E pronto. Sua Turma já entendeu.

Para o governo, a Coisa é, por exemplo, o cercadinho do Planalto, as frases polêmicas, os palanques ou as decisões cotidianas.

A Turma do Bolsonaro está assistindo a Coisa pegar na CPI.

A Coisa tá complicada por lá. E a Turma do presidente só assiste ou anda de moto.

A Turma da CPI levantou o tapete e achou Coisa que não acaba mais. Com isso, complicou muito a Coisa das eleições do ano que vem.

Só que a Turma que quer se eleger, não parece ter entendido que à hora é de fazer suas Coisas acontecerem.

Ciro brigou com o Lula por causa da Coisa toda, mesmo com sua Turma não entendendo bem o porquê.

Lula, que para a Turma oposta é ele mesmo um Coiso, não se decidiu a assumir o papel de salvador da Coisa, o que cria enorme insegurança em sua própria Turma.

A Turma liberal do Novo parece que largou mão da Coisa e nem tchuns para toda essa bagunça.

Não acredito que a culpa seja da pandemia ou da falta de panelas para se bater nas janelas. Acho que o Brasil atual sofre de uma inédita desconexão, uma ruptura

Até a Marina, foi abduzida da Coisa toda. Menos grave, porque é certo que a Turma dela só aparece mesmo na última hora, então aí não temos surpresa nenhuma.

O País está nesse descompasso exatamente porque as Turmas não estão ligadas nas suas respectivas Coisas.

A essa altura, você já deve ter compreendido a profundidade do binômio Turma & Coisa e sua importância para o futuro do Brasil e estou certo que o leitor atento, está procurando no seu íntimo a Turma e a Coisa com a qual se identifica.

O fato é que a Coisa toda que esse governo impôs, a Coisa da pandemia, a Coisa dos ministérios dominados por uma Turma incompetente, deixou a gente de queixo tão caído que as nossas Turmas estão congeladas e suas Coisas abandonadas ao sereno.

Basta!

Este texto é um apelo para todas as Turmas desse País acordem!

Vamos agarrar nossas Coisas e decidir para onde vamos levar a Nação.

Apenas a sua Turma, seja ela qual for, pode impor mudanças.

Porque se você não percebeu ainda, amigo, sem sua Turma a Coisa ficou feia.


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