A transparência da criptomoeda nos ajuda na guerra

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)


Quando se trata de investir em criptomoeda, muitas pessoas optam por moedas alternativas, as  “Stablecoins” – que significa literalmente “moedas estáveis”  e que não são tão voláteis como o Bitcoin e o Ethereum e se apresentam como um caminho à adoção do padrão blockchain pelo sistema financeiro internacional. E talvez a guerra na Europa possa ajudar.

Um especialista em Crypto recentemente ouvido no senado Brasileiro, Antônio Neto Ais, CEO de uma das mais ativas empresas de tecnologia blockchain da América Latina, afirma que elas garantem mais segurança no mercado, porque não há oscilação de preço que sempre se equipara ao valor da moeda fiduciária a que está indexada.

Elas são ótimas por várias razões. Podem ser utilizadas internacionalmente sem taxas de câmbio. As transacções são muito mais rápidas do que Bitcoin, Ethereum, e outras moedas criptográficas; e são ainda completamente transparentes, pois qualquer pessoa pode rever a transação mas  permanecendo a sua identidade anónima.

Estas Stablecoins são criptomoedas indexadas a moedas fiduciarias, ou seja, uma espécie de “versão digital” de moedas reais. “Dolarcoins” e “Eurocoins” que funcionam digitalmente mas flutuam analogicamente aumentando a agilidade da sua utilização e diminuindo o risco para os seu utilizadores.

É verdade que estas moedas não podem ser consideradas uma revolução — até porque não trazem nada de inovador para o mercado cripto — mas servem mais como uma garantia de proteção da oscilação do mercado.

As stablecoins impactam o mercado das criptomoedas porque, apesar de serem lastreadas em moedas fiduciárias, não são centralizadas ou emitidas por governos e  pertencem a empresas privadas (USDC, da Coinbase, nos EUA; a USDT, da Theter em Hong Kong) mas a maior parte são indexadas ao dólar, por ser uma moeda “universal”.

Imaginemos utilizar internacionalmente a segurança do dólar — a todo poderosa moeda norte-americana —  mas sem a passar pela dor de cabeça da burocracia bancária. Tudo num  processo muito simples, abrindo espaço para um novo universo de possibilidades. Usar a stablecoin para reserva de valor, proteção contra inflação e mesmo eficiência fiscal pois a sua forma digital “obriga” a pouquíssimas taxas e as operações de transação são praticamente instantâneas.

Ou seja, eu estou no Brasil e quero comprar um imovel em Londres e o vendedor aceita “stablecoin”, eu posso fazer essa transação com segurança, rapidez e sem sofrer com a volatilidade do mercado cripto ou com oscilações cambiais.

O processo é muito simples –  um imóvel custa 200 mil dólares, o cliente adquire esse valor em stablecoins e faz a transferência para a carteira do dono do imóvel. Se os dois estiverem de acordo, ele recebe a transação em segundos, sem pagar taxas ou perder tempo com burocracias. Uma nova dimensão, até na transparência, pois no caso de uma guerra – como agora acontece na Europa – toda a informação relevante está sempre disponível.






Sobre o autor

Fundador da Informacion Capital Consulting e Diretor da Câmara de Comércio e Industria Luso Brasileira em Lisboa onde coordena o comité de Trade Finance é o autor do estudo "O Potencial de Expansão das Exportações Brasileiras para Portugal”. Atua atualmente como investidor e consultor, estando envolvido em projetos de intercâmbio internacional nas áreas do comércio, tecnologia e real estate. Vive com um pé em cada lado do Atlântico, entre São Paulo e Lisboa. É autor e colunista na imprensa internacional sobre temas de investimento, importação e exportação e inteligência de mercado. É um entusiasta da cultura e da língua portuguesa.


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