Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Ao visitar o tradicional Salão da Agricultura, um dos mais importantes eventos da França nas áreas econômica e política, o presidente do país, Emmanuel Macron, falou sobre aquilo que era inevitável que falasse: a covarde invasão da Ucrânia pelas Forças Armadas da Rússia, a partir de ordens emanadas do presidente autocrata Vladimir Putin.

Em um tom nada otimista, Macron ratificou as suas mais recentes análises, explicando que já estão consumados os primeiros lances para que uma guerra de grandes proporções venha novamente assolar o mundo. Quando? Isso é impossível responder. A única certeza histórica e factual é que tal confronto global vai ganhando contornos concretos.

Já não importa como será e nem quando ocorrerá o final do conflito armado na Ucrânia — a análise que agora se impõe é outra e maior. O que está em jogo, daqui para frente, é que crises econômicas e eventuais desabastecimentos irão – ainda que aos poucos, ainda que com avanços e recuos – afetar o mundo todo.

Isso se dará em decorrência inevitável das crescentes sanções que a Organização do Tratado do Atlântico Norte imporá à Rússia – e, deixe-se é claro, tais sanções econômicas têm mesmo de ser estabelecidas, ainda que, infelizmente, elas causem, se tanto, leves arranhões aos planos totalitários e expansionistas de Vladimir Putin. Mas elas são, pelo menos, uma forma de reação às alucinações ditatoriais do presidente russo.

Eis uma das medidas mais radicais e direcionadas pessoalmente a Putin e ao seu chanceler, Serguei Lavrov: os EUA e a União Européia os incluirão no rol dos indivíduos que poderão ter seus bens bloqueados em toda a Europa. Sem dúvida, é uma subida de tom na reação do Ocidente, mas de pouco impacto: a vida financeira de Putin não será afetada, uma vez que ele não possui bens declarados no exterior — e, vale observar, não os possui porque, maquiavelicamente, sempre planejou tocar para frente sua política beligerante e autoritária. E sabe que o confisco de seus bens fora da Rússia há tempo está em pauta.

Ainda assim, mesmo sem se sentir atingido, Putin mandou um duro recado de cunho militar, dessa vez para a Suécia e a Finlândia – como se vê, ele vai engatando um país ao outro, vai tentando aumentar o raio de eventuais confrontos. O que Putin declarou foi o seguinte: se Finlândia e Suécia se movimentarem em direção à Organização do Tratado do Atlântico Norte, deixando de lado a sua histórica neutralidade, tal ato terá “consequências político-militares que necessitarão de resposta”.

O Ocidente precisa dar o troco à covarde iniciativa de Putin de invadir a Ucrânia, tenha ele maior ou menor eficácia – o que não pode é deixar a Rússia sem nenhuma punição, até porque o ex-agente da KGB Putin não é o dono do mundo. Putin, por sua vez, já está fixando que pretende arranjar mais encrenca militar pela frente, envolvendo Finlândia e Suécia. Por meio de pequenas escaramuças – sejam verbais, sejam armadas – a paz vai sendo assassinada por Putin. Daqui para frente, a animosidade da Rússia, sempre latente, começará a se manifestar cada vez com maior atrevimento. É essa guerra de guerrilhas a formadora de uma grande guerra.

A guerra na Europa já começou.