Edição nº2555 07/12 Ver edições anteriores

A solução vem da China

Um cientista chinês informou essa semana que conseguiu uma proeza que pode representar uma das maiores conquistas na História da genética: a edição do DNA de um embrião.

Embriões, no caso, já que os bebês que acabam de nascer são gêmeos.

As duas, Lulu e Nana, passam bem.

Segundo o cientista He Jiankui, de Shenzen, o objetivo foi criar seres humanos imunes à infecção por HIV.

Claro que, como boa parte das notícias que vêm da China, essa também gerou desconfiança.

Também pudera, o feito não foi publicado em nenhuma revista científica e o Jiankui afirmou que apenas “colaborou no trabalho”.

Segundo ele, os responsáveis não querem se identificar.

O sujeito é o assistente do Dr. Frankstein e nós temos que aceitar sua palavra?

Ô meu deus, Jiankui, me ajuda a te ajudar.

Assim fica difícil saber se o importante passo foi dado ou não.

A sorte é que, como completo leigo no assunto, posso escolher no que acreditar.

De cara já não gostei dos nomes.

Lulu e Nana são nomes bons para um par de coelhos de varanda, não para gêmeas que mudarão o rumo da ciência.

Mas sei que modificar a estrutura genética de um embrião é muito mais sério do que os nomes já que, se for mesmo verdade, as consequências dessa engenharia genética são infinitas e podem trazer intermináveis discussões éticas.

Já posso imaginar o mimimi alegando que pais não devem escolher o Q.I. dos rebentos. Ou a cor dos olhos e do cabelo. Ou o sexo. Pessoalmente não vejo mal nenhum.

Quero mais é um futuro de gente genialmente linda.

Chega de horrorosamente burros feito eu.

A partir de hoje, adeus Natureza, adeus Darwin.

Nós é que vamos tomar as rédeas da evolução da espécie.

Nós não, o Jiankui.

Afinal, deixar a Natureza seguir seu curso — no caso dos humanos — não deu lá muito certo, é só olhar em volta.

Por isso tenho esperança que os Seres Humanos 2.0, criados na China, serão a salvação da nossa espécie.

Se não salvarem a espécie toda, pelo menos que salvem a sub-espécie Homo Brasileirus.

Por isso faço aqui um apelo ao presidente Messias para que importe o Jiankui.

A genética do nosso povo merece esse upgrade.

Já posso imaginar o jovem cientista chinês em seu laboratório, montadinho no subsolo do Palácio do Planalto, trabalhando em seu primeiro objetivo: eliminar o gene da corrupção.

Caput!

Vamos aniquilar essa má formação nacional na barriga das mães corruptas!

Claro que tudo isso tem que ser feito com cuidado para não ter gente dizendo que o presidente está higienizando a raça.

Falar em higienização, o gene de cuspir no chão será o próximo na lista negra.

O de não ceder o lugar para os mais velhos no ônibus vai embora na sequência.

Coisas muito sérias podem ser resolvidas sem custos, só na base do cromossomo.

O gene de viver com o salário mínimo, por exemplo, pode ser implementado.

O de sobreviver à falta de saneamento básico deve ser moleza de editar.

Sem doenças, poderemos transformar todos os hospitais em templos para agradar a bancada evangélica.

Todo brasileiro terá um Bolsa DNA, onde poderá escolher filhinhos brilhantes e saudáveis.

Seremos uma potência.

O que países mais maduros levaram séculos para conquistar, alcançaremos em uma única geração.

Duas no máximo.

 

Quem sabe, com um pouco mais de pesquisa, poderemos editar o gene que escolhe políticos.

Aquela degeneraçãozinha leve que faz a gente eleger incompetentes, ladrões, safados, há tantas gerações, finalmente será corrigida.

Está vendo só? Para tudo tem um jeito.

E você aí achando que esse País não ia mudar nunca.


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