Comportamento

A solidão do príncipe

Ao encontrar um lar nos EUA, Harry adotou uma causa: a saúde mental. Para defendê-la, conta sua história e faz duras acusações à família real

Crédito: Chris Jackson

A solidão do príncipe (Crédito: Chris Jackson)

NOVA FAMÍLIA Meghan Markle, mãe de Archie, de dois anos, está grávida de uma menina (Crédito:Divulgação)

Quando considerados os filhos da princesa Diana, Harry, em comparação ao seu irmão mais velho, William, sempre foi a ovelha negra. Era Harry quem passava as noites de sua adolescência sendo fotografado em boates completamente embriagado e drogado. Ele também apareceu vestido de nazista em uma festa à fantasia, ou até completamente nu, em uma competição de “Naked Poker”, em Las Vegas. Parecia que o jovem príncipe não tinha jeito, até que ele assumiu o namoro com Meghan Markle, seguido de casamento. E foi durante o relacionamento que ele começou a fazer terapia, pediu ajuda e foi, segundo ele, totalmente ignorado pelos seus familiares.

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Tomada a decisão de saírem do serviço público real, perderam os títulos de “alteza” e o direito de falar em nome da realeza. Harry e Meghan se tornaram “Os Sussex”, pois ambos ainda são o duque e a duquesa da região. Harry segue como sexto na linha de sucessão ao trono, mas as coisas ficaram ainda mais apimentadas entre ele e seus parentes. Harry criou e co-produziu junto à apresentadora Oprah Winfrey uma série sobre a importância da saúde mental, disponível com legendas em português no streaming “Apple+”. Com episódios semanais, Harry revelou já na estreia como foi viver o luto pela mãe e sua obrigação, aos 12 anos, de estar no velório, em choque e diante dos flashes sem expressar emoções. No bate-papo com Oprah, Harry falou tudo o que estava entalado. “Quando minha mãe foi tirada de mim aos 12 anos, pouco antes do meu 13º aniversário, eu não queria viver”, revelou.

Terapia real

Ele também contou como sentia revolta ao ver as pessoas chorando por sua mãe enquanto ele tinha que seguir um protocolo. “Era algo como ‘essa é a minha mãe, vocês nunca a conheceram.” E, segundo ele, esse comportamento de seguir o que a família mandava veio de seu pai, o príncipe Charles. Harry o acusou de continuar um ciclo de abusos, negligência e silêncio. “Meu pai costumava me dizer quando eu era mais jovem, para mim e para William, ‘Bem, foi assim para mim, então vai ser assim para você ’. Isso não faz sentido”, revelou. Segundo ele, foram quatro anos, entre casamento e namoro, em que ele pediu ajuda para si mesmo, Meghan e o filho Archie, até finalmente se mudarem para os Estados Unidos. “Tenho uma grande quantidade da minha mãe dentro de mim. Sinto como se estivesse fora do sistema, mas ainda estou preso lá. E a única maneira de se libertar e escapar disso é dizer a verdade. ”Harry conta que tinha certo receio de fazer terapia, mas foi convencido pela esposa, após uma discussão onde ela afirmou que ele “parecia um moleque”. E Harry diz que foi exatamente isso que aconteceu durante as suas sessões: ele foi curar o menino de 12 anos que não conseguia esquecer a mãe, totalmente ignorada pela “firma” após sua morte.

LEMBRANÇAS No colo com a mãe, Lady Di: Harry ficou traumatizado com o acidente que a matou (Crédito:JOHN REDMAN)

Harry fez a relação do relacionamento da mãe, que namorava com o egípcio Dodi Al Fayed, com o racismo sofrido por Meghan. “A história estava se repetindo. Minha mãe foi perseguida até a morte enquanto ela estava em um relacionamento com alguém que não era branco e agora veja o que aconteceu. Você quer falar sobre a história se repetindo, eles não vão parar até que [Meghan] morra”, disse. O repórter da BBC, Martin Bashir, pediu desculpas a Harry e William pela entrevista cheia de malícia que fez com Diana em 1995 – mas levou 26 anos para fazê-lo. A realeza segue mostrando seus membros sorridentes e felizes, mas se esse foi apenas o primeiro episódio e mais verdades virão, resta saber se Harry realmente quer um rompimento completo com quem o criou e o viu crescer.