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A sequência de acontecimentos no Afeganistão desde domingo

A sequência de acontecimentos no Afeganistão desde domingo

Combatente talibã monta guarda com um lança-foguetes antitanques (RPG) na entrada do Ministério do Interior, em Cabul, 17 de agosto de 2021 - AFP

Confira os principais acontecimentos no Afeganistão desde a chegada do Talibã a Cabul no domingo, 15 de agosto.

– Às portas de Cabul –


No domingo, 15 de agosto, o Talibã chegou a Cabul, depois de uma ofensiva fulminante que começou em maio, após o início da retirada das tropas dos Estados Unidos e da Otan.

Nos últimos dez dias, os insurgentes tomaram todas as grandes cidades do Afeganistão, encontrando pouca resistência.

– Promessa de “transferência pacífica do poder” –

O ministro do Interior afegão, Abdul Sattar Mirzakwal, prometeu em mensagem de vídeo “uma transferência pacífica de poder para um governo de transição”.

Um porta-voz dos insurgentes afirmou à BBC: “Queremos um governo inclusivo (…), de que todos os afegãos façam parte”.

– O presidente Ashraf Ghani vai embora –

Na noite de domingo, o presidente afegão Ashraf Ghani deixou o país, sem que se saiba até o momento seu paradeiro, embora o grupo de imprensa afegão Tolo tenha sugerido que ele viajou ao Tadjiquistão.

Imagens da TV confirmaram a presença dos talibãs na capital afegã e que ocuparam o palácio presidencial.

O presidente reconheceu em uma mensagem no Facebook que “os talibãs venceram”.

– Pânico no aeroporto –

Na segunda-feira, 16, a evacuação do pessoal diplomático, de cidadãos estrangeiros e afegãos é realizada em meio ao caos, com marés humanas no aeroporto de Cabul, única porta de saída do país.

Os voos civis e militares são suspensos por algumas horas, antes de ser retomados na noite de segunda-feira.

– Base para futuros ataques terroristas –

A China foi o primeiro país a afirmar querer manter “relações amistosas” com os talibãs.

A diplomacia russa considerou que os talibãs garantem “a ordem pública”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas alertou os talibãs contra qualquer desejo de transformar o país em uma base para futuros ataques terroristas.

– Biden defende retirada –

Duramente criticado após a queda de Cabul, o presidente americano, Joe Biden, defendeu “firmemente” sua decisão de retirar as tropas do Afeganistão, e insistiu em que a missão nunca foi construir uma nação, mas impedir novos ataques em território americano.

Ele advertiu os talibãs que “se atacarem nosso pessoal ou interromperem nossa operação (de retirada), a resposta será rápida e contundente. Defenderemos nossa gente com força devastadora. se necessário”.

– Anistia para os funcionários públicos –

Nesta terça, os talibãs anunciaram uma anistia geral para os funcionários públicos.

“Declara-se uma anistia geral para todos (…) Retomem seus afazeres com toda confiança”, afirmaram em um comunicado.

– “Uma vergonha para o Ocidente” –

“As imagens de desespero no aeroporto de Cabul são uma vergonha para o Ocidente”, afirmou o presidente alemão Frank Walter Steinmeier. “Somos corresponsáveis”, acrescentou.

– Retorno do número dois do Talibã –

O mulá Abdul Ghani Baradar, cofundador e número dois dos talibãs, voltou ao Afeganistão via Catar, segundo um de seus porta-vozes.

“A guerra terminou, [o líder dos talibãs] perdoou todo mundo”, declararam os talibãs em sua primeira coletiva de imprensa. “Nós nos comprometemos a deixar as mulheres trabalharem de acordo com o respeito aos princípios do islã”, acrescentaram.

– UE “terá que falar” com os talibãs –

A UE “terá que falar” com os talibãs “o mais rapidamente possível” porque “venceram a guerra”, declarou Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, afirmou, por sua vez, que o Canadá “não tem a intenção de reconhecer um governo talibã”.

– Possíveis “violações do direito humanitário internacional” (TPI) –

O procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, disse “estar especialmente preocupado com as recentes informações sobre um aumento da violência”, evocando crimes que poderiam “constituir violações do direito humanitário internacional”, como execuções extrajudiciais, perseguições às mulheres e jovens, e crimes cometidos contra crianças.

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