Comportamento

A revolução dos bichos

Especialistas apontam aquecimento global e desmatamento como as principais causas da mudança no comportamento dos animais

Crédito: Rob Griffith
ACERODON JUBATUS Tamanho é documento: os morcegos podem atingir até 1,7 metro de envergadura e pesar 1,5 Kg (Crédito:Rob Griffith)

Deu a louca nos bichos. O desequilíbrio ambiental, reflexo da degradação da natureza nos últimos anos, vem causando um processo atípico entre os animais em diversas partes do mundo. Debandadas em massa, invasão de zonas urbanas e propagação de doenças são a ponta de um iceberg que derrete cada vez mais na medida em que o homem tira proveito de recursos finitos sem pensar no amanhã. Os moradores das Filipinas que o digam. Meses atrás, a foto de um ‘morcego gigante’ tornou-se viral em redes sociais após um usuário do fórum online Reddit publicar a imagem do animal dormindo na varanda de uma casa. Embora existam pontos questionáveis na foto, como o tamanho real do bicho e seus hábitos, a situação acendeu um sinal de alerta: o risco de extinção da espécie. O Acerodon Jubatus, conhecido como ‘raposa voadora’, pode chegar a 1,7 metro de envergadura e pesar 1,5 kg. Ao contrário do que se pensa, a espécie de morcego não se alimenta de sangue e sim de frutas. “Os morcegos possuem cada vez menos espaços naturais por conta do desmatamento excessivo, isso faz com que eles entrem em contato com seres humanos nas cidades”, diz Fabiana Padilha, bióloga de Mamíferos Terrestres e Voadores no Aquário de São Paulo.

“Os morcegos correm risco de extinção por conta do desmatamento e da caça” Fabiana Padilha, bióloga de mamíferos terrestres e voadores (Crédito:Divulgação)

A presença de escorpiões em grandes cidades, como São Paulo, é a prova da perturbação que atinge os animais. O número de pessoas picadas no Brasil saltou de 40.287, em 2008, para 156.833 em 2018, segundo dados do Ministério da Saúde. A Organização das Nações Unidas (ONU) reforça que é preciso diminuir os índices de poluição, visto que a sobrevivência na Terra depende de recursos naturais. Outro alerta de que há algo de errado com os animais veio no dia 26 de junho, quando o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) descobriu a presença de uma gigantesca nuvem de gafanhotos no país e alertou seus vizinhos na América do Sul, como Brasil e Uruguai. As nuvens formadas pelo Schistocerca Cancellata, conhecido como gafanhoto migratório sul-americano, contam com mais de 400 milhões de insetos, que, se famintos, podem devorar o consumo alimentar de 2 mil vacas ou 350 mil pessoas em apenas um dia. “As atividades humanas estão alterando o ambiente em diversos níveis e nós não pensamos que alguns limites foram ultrapassados”, afirma Ana Tresmondi, professora de engenharia ambiental no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal). A praga dos gafanhotos é consequência da busca por alimentos e melhores condições climáticas para a continuação da espécie. Neste momento, os insetos estão a 100 km do Rio Grande do Sul.

Arvind Sharma
Schistocerca Cancellata Gafanhotos na América do Sul: eles medem cerca de 8 centímetros e conseguem percorrer 150 Km por dia (Crédito:Divulgação)

Formigas voadoras

No dia 17 de junho, meteorologistas do Met Office, no Reino Unido, registraram uma movimentação estranha em seus radares. Inicialmente, os profissionais pensaram que se tratava de chuva, porém, depois de análises precisas, descobriram a causa de manchas no mapa: formigas voadoras. “Não estava chovendo em Londres, mas nossos radares apontavam o contrário”, informou o Met Office via redes sociais. O evento é comum durante o verão europeu, mas chamou atenção pela grande quantidade de animais migrando. As mudanças não ocorrem apenas no céu. Recentemente, cientistas da Indonésia encontraram uma barata gigante no fundo do mar. A Bathynomus pode atingir até 50 centímetros da cabeça à cauda, e é descrita como uma espécie rara que depende da saúde dos oceanos para sobreviver. “A perspectiva é de que a temperatura da Terra continue aumentando nos próximos anos, o que deve impactar diretamente na rotina dos animais”, afirma Glauco Machado, pesquisador do Departamento de Biociências da USP. Pelo jeito, a vida selvagem ainda nos reserva muitas surpresas.

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