Internacional

A resposta dos líderes

Dirigentes que responderam com honestidade e coragem cresceram com a crise, como Angela Merkel. Nos EUA, com sua resposta tardia, Donald Trump agora tem a reeleição ameaçada

Crédito:  Joshua Roberts

É GUERRA Donald Trump reage depois de menosprezar a crise. Abaixo, o francês Emmanuel Macron: apelo à conciliação nacional (Crédito: Joshua Roberts)

PANDEMIA * 2020

Ludovic Marin / AFP

Nada será como antes após a pandemia de Covid-19, e isso vale também para as políticas nacionais. Líderes que conseguiram dar respostas eficientes e corajosas cresceram, enquanto outros veem sua popularidade abalada. Enfrentar a adversidade, mesmo trazendo más notícias, rende mais capital político do que negar a débâcle econômica. Os EUA são um caso emblemático. Donald Trump mantinha um discurso otimista e contava com a prosperidade econômica para vencer as eleições de novembro. Mas o país deve entrar em recessão e enfrentar demissões em massa. Com isso, precisou realinhar sua estratégia às pressas. Em entrevistas quase diárias, tenta agora se posicionar como o comandante em chefe de uma guerra histórica, o único capaz de reverter o desastre. No começo, deu certo. Conseguiu uma pequena melhora nos índices de popularidade, mas ficou em uma situação delicada. Para a tática funcionar, ele precisa contar com a sorte: a descoberta de uma vacina ou a rápida queda no número de mortes e doentes. Nada disso está no horizonte nesse momento. Ele pode ser atropelado pelos acontecimentos — o quadro mais provável. Poucas vezes um presidente americano viu sua estratégia reeleitoral ser corroída de forma tão rápida e dramática.

No Reino Unido, Boris Johnson se opunha a medidas de isolamento, e reconheceu tardiamente que o famoso Sistema Nacional de Saúde (NHS) corria o risco de colapso. Diante da escalada de críticas, anunciou em um pronunciamento solene, na segunda-feira, 23, que o Reino Unido implementaria uma quarentena obrigatória. “Nenhum primeiro-ministro deseja tomar medidas como essa. Reconheço as consequências para a vida das pessoas”, falou. O discurso valeu a pena. Foi uma das transmissões mais assistidas da história da TV britânica. O francês, Emmanuel Macron, também optou pelo discurso televisivo para fugir das cordas em um momento delicado de seu mandato. “Estamos em guerra. Não contra uma nação, mas contra um inimigo invisível e inalcançável”, afirmou. Ele anunciou a quarentena obrigatória, suspendeu a polêmica reforma previdenciária e adotou um tom de conciliação nacional. “Nunca a França tomou decisões dessa monta em tempos de paz”, disse.

Na tv Boris Johnson endureceu o isolamento. Angela Merkel seguiu os especialistas. Giuseppe Conte demorou para impor a quarentena, o que fez disparar os óbitos. Alberto Fernández optou pelo discurso social

Angela Merkel reconquistou índices recordes de popularidade ao seguir as orientações dos especialistas, dando declarações francas e honestas. Evitou qualquer resposta ideológica. Deu o exemplo, e fez o teste para a Covid-19 após ter contato com um médico infectado. Declarou na TV: “Desde a Segunda Guerra, não ocorreu outro desafio para nosso país que dependesse tanto de nossa ação solidária e comum”. O governo anunciou auxílio generalizado, abrindo mão da política histórica de orçamentos equilibrados. O premiê italiano, Giuseppe Conte, por outro lado, demorou a tomar medidas duras. Com isso, a Itália tinha até a última semana a maior taxa de óbitos. O presidente Vladimir Putin também está sendo atropelado pela crise. A Rússia intrigava os especialistas pelo baixo número de atingidos. A resposta oficial lembrava a era soviética: silêncio e negação. Apenas na terça-feira, 24, as autoridades admitiram desconhecer o número real de infectados, já que os testes estavam sendo aplicados de forma limitada. Putin, então, apressou-se em visitar um hospital, paramentado com o traje de proteção. Já o argentino Alberto Fernández priorizou uma resposta social à crise. Sua preocupação, declarou, é “que ninguém passe fome, que todos tenham recursos para ficarem tranquilos em suas casas e que a economia não paralise totalmente”.

De uma forma ou outra, todos os mandatários procuraram de uma forma ou outra imitar os exemplos históricos e líderes como Winston Churchill, que era um gênio da oratória. Durante a Segunda Guerra, ele guiou os britânicos apostando na determinação. Foi claro ao dizer que seria necessário o sacrifício de todos com “sangue, suor e lágrimas”. Mas é bom lembrar que não basta vencer a guerra para colher os benefícios da glória no tempo de bonança. Como a narrativa política ensina, Churchill levou uma surra nas urnas depois de derrotar o nazismo.

Depois de mudar sua estratégia contra a pandemia, o primeiro-ministro Boris Johnson conseguiu uma das maiores audiências da história da TV britânica

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