A reinvenção da democracia

E estamos acostumados a ouvir que “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras”. Atribuída a Winston Churchill, a frase faz sentido. O regime em que o povo escolhe seus governantes é simples e efetivo. Infelizmente, à luz do contexto tecnopolítico atual, a sobrevivência desse sistema exige a sua reformulação.

A democracia nasceu na Grécia antiga, mas se consolidou no século 20 como alternativa tanto aos horrores do totalitarismo quanto aos exageros da monarquia. Mesmo durante a revolução industrial, o voto do dono da empresa valia tanto quanto o
do empregado. Que ideia linda.

Os poderosos sempre exerceram pressão nessas escolhas, mas uma eleição, apoiada no alicerce da Justiça, é inviolável. O candidato com mais votos toma posse, mesmo contra a vontade do status quo. Isso se deve também a um ambiente adequado. Um desses pilares é a imprensa, que fiscaliza o governo e os postulantes, expondo as qualidades e defeitos de cada um. Com informação nas mãos, o eleitor pode escolher X ou Y de forma soberana e com livre arbítrio. Infelizmente, a tecnologia tem efeitos colaterais. Um deles é a destruição da democracia. Por duas razões simples: as redes sociais diluíram a força da informação verdadeira e facilitaram a influência nos eleitores. Essas empresas trilionárias perceberam que campanhas de desinformação são muito lucrativas, e resolveram fechar os olhos para elas. Resultado: após usarem a votação do Brexit como laboratório, hackers russos manipularam a opinião americana e elegeram como presidente dos EUA um gângster como Donald Trump. Vimos isso no Brasil, Rússia, Hungria, Polônia e Venezuela: líderes autoritários usam a democracia para chegar ao poder e, uma vez lá instalados, tentam destruir as instituições para se manter no poder de forma indefinida.

A Sociocracia seria um modelo híbrido composto por conselhos de notáveis, administradores e técnicos

A democracia precisa reagir. Acredito em um modelo híbrido composto por conselhos específicos, administradores e técnicos. Cada área seria controlada por especialistas. Em vez de votar em pessoas, votaríamos em porcentagens do orçamento que seriam dedicadas a cada área. “Saúde: 20%; Educação, 15%, Ciência, 10%, Segurança, 5%”, e por aí vai. Os administradores fariam a gestão do sistema, os conselhos definiriam as prioridades e os técnicos executariam os projetos. Os conselhos, o cérebro do novo poder, seriam formados por experts escolhidos de acordo com a relevância de publicações reconhecidas por organismos internacionais. Seríamos uma Sociocracia, sem políticos que não entendem nada sobre os problemas do País. A proposta é ambiciosa, reconheço. Um sonho? Talvez. Mas melhor isso que esperar a democracia virar um pesadelo.


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