A privatização marota de Bolsonaro

Avança no Congresso a MP da capitalização da Eletrobrás. Parlamentares correm para evitar que a medida caduque no dia 22. Tudo indica que o projeto a ser aprovado seja uma distorção da própria ideia de desestatização. O objetivo de qualquer privatização é abrir o mercado à competição, atrair investimentos, permitir melhores serviços e diminuir as tarifas aos consumidores. Tudo esvaziando o aparelhamento político e fechando as torneiras do desperdício. O que se prepara é o oposto.

A privatização virou um aumento de capital, que em tese diluirá o controle governamental. Na prática, a estatal será colocada a serviço de interesses políticos paroquiais, trazendo dinheiro a empresários amigos e subvertendo a lógica da maior eficiência e do benefício ao contribuinte. É um casamento entre o estatismo corporativista de Bolsonaro e o oportunismo do Centrão. O processo não tem mais sentido econômico. Entre as regras espertas, criará reservas de mercado para pequenas centrais hidrelétricas e exigirá a construção de termelétricas a gás onde não há gasodutos. Entidades ligadas ao setor elétrico e à indústria avaliam que os jabutis na MP custarão R$ 67 bilhões ao cidadão. Já a Fiesp calcula que o custo chegará a R$ 400 bilhões, a maior parte a ser paga na conta de luz pelos consumidores.

Trata-se do segundo estelionato em menos de uma década. Em 2013, Dilma Rousseff forçou a mudança no setor energético impondo novos contratos e ameaçando os operadores. O objetivo era baixar artificialmente a conta de luz, política ladina que ajudou na sua reeleição. O setor foi desorganizado, e a conta até hoje é paga pelos brasileiros. Pior, o País está diante da maior crise hídrica em 91 anos. A MP da Eletrobrás é um símbolo da falta de visão e planejamento do governo Bolsonaro, que já espera tratar o racionamento previsto no final do ano na base da mordaça, com ocultação de informações e controle sobre a agência reguladora.

A venda da Eletrobrás virou um casamento entre o estatismo do presidente e o oportunismo do Centrão. O processo não tem mais sentido econômico

A exemplo do que já começou a praticar na Petrobras com a gasolina, Bolsonaro também já começou a restringir na marra os reajustes nas contas de luz, que o próprio setor chama de pedaladas. O mandatário quer evitar que a população sinta na pele a disparada da inflação, que já é visível nos supermercados. Esse populismo econômico vai levar mais uma vez a passivos bilionários e à desestruturação do segmento. Mas daí, a campanha de reeleição já terá passado. É a única estratégia do presidente.


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