Brasil

A primeira ministra

Acusado de menosprezar as mulheres, Bolsonaro escolheu uma deputada do DEM para comandar a Agricultura

Crédito: Antonio Cruz/ Agência Brasil

BANCADA DE PESO A deputada Tereza Cristina (DEM-MS) teve a chancela de 30 integrantes da Frente Agropecuária (Crédito: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

A deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista, será a futura ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. Indicada por uma bancada de 30 integrantes, a nova ministra presidiu a comissão especial que aprovou o projeto que flexibiliza a regulação de agrotóxicos na agricultura. A lei aprovada na Câmara foi defendida pelos empresários do agronegócio, mas foi duramente criticada por ambientalistas. Pela nova lei, serão proibidos apenas agrotóxicos que apresentem “risco inaceitável”. Os críticos do projeto chamaram a iniciativa de “PL do Veneno”, denunciando que os agrotóxicos colocam em risco a saúde.

Um dia depois de ser escolhida para a função, Tereza Cristina, de 64 anos, reuniu-se com o presidente eleito Jair Bolsonaro na quinta-feira 8, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde vem funcionando o governo de transição. Depois da conversa, a nova ministra disse que seu propósito principal é a defesa da propriedade dos produtores rurais, que se sentem ameaçados pelas invasões de terras tanto por parte do MST, como por comunidades indígenas. Na Câmara desde 2014, Tereza Cristina destacou-se na defesa do setor agropecuário. Em seus pronunciamentos, foi crítica, por exemplo, da elevada taxa de juros para os agricultores. “Temos que baixar os juros. Precisamos achar um jeito de ter mais crédito compatível com nossa atividade”, disse.

“Temos que baixar os juros. Precisamos ter crédito compatível com a atividade”  Tereza Cristina da Costa Dias, deputada DEM-MS

Desde o momento em que o presidente eleito admitiu a possibilidade de fusão do Ministério da Agricultura com o Ministério do Meio Ambiente, a deputada mostrou-se preocupada com a união das duas pastas. “Não vou dizer se sou a favor ou contra, mas nos deixa sim uma preocupação de trazer para dentro da Agricultura um ministério desse tamanho e complexidade”, disse ela. A pressão da bancada ruralista forçou Bolsonaro a recuar na idéia de incorporação dos ministérios. As mulheres, finalmente, começam a dar as caras no novo governo.

Uma voz do campo
Integrante da bancada ruralista, Tereza Cristina vai assumir ministério da Agricultura sem o Meio Ambiente

>Foi secretária de Desenvolvimento Agrário da Produção, da Indústria, do Comércio do MS durante o governo de André Puccinelli (MDB), de 2007 a 2014

> A agricultura do MS cresceu mais de 12% ao ano no período em que esteve à frente da Secretaria da Agricultura do estado. A atração de grandes empresas e o aumento de empregos foram destaques em sua gestão

> Em 2014 foi eleita deputada federal pelo MS. É presidente da bancada ruralista desde 2015

> Em janeiro de 2017 foi eleita líder da bancada do Partido Socialista Brasileiro na Câmara e em outubro daquele ano deixou o PSB por discordar da posição contrária do partido ao Governo Temer. Em dezembro, ingressou no DEM

> Este ano, liderou a aprovação do Projeto de Lei que flexibiliza as regras para fiscalização e aplicação de agrotóxicos na agricultura