Especial 40 anos

A primavera árabe

Convocado pela internet e pelas redes sociais, levante inédito derrubou chefes de Estado opressores, mas gerou guerras civis sangrentas e crise migratória

A primavera árabe

NAS RUAS O norte da África e parte do Oriente Médio, como o Bahrein, foram tomados por protestos


Conflito 2010/Internacional

Como milhares de jovens sírios, Majd Soufan e seu irmão Khaled foram às ruas de Ohms, na Síria, na virada da década. Oriundos de uma família politizada e convocados pelas redes sociais para protestar contra o governo ditatorial de Bashar Al-Assad, eles seguiam o movimento que varreu todo o Norte da África e Oriente Médio desde 2010 e ficou conhecido como Primavera Árabe. Os protestos contra as condições de vida, a corrupção e a repressão começaram na Tunísia e se espalharam pela Argélia, Jordânia, Iêmen e outros países da região. Como resultado, três chefes de Estado caíram e outros foram banidos da política.

Mas nem tudo terminou bem. Na Síria de Soufan, o conflito tornou-se uma guerra civil sangrenta. “Na noite de 25 de julho de 2013, helicópteros e tanques invadiram o bairro em que morávamos, em Damasco”, diz Eman Haidar, mãe de Majd e Kahled. Na ocasião, eles já haviam fugido da Síria. “Eu e meu marido ficamos na linha de tiro entre o governo e os soldados da oposição por mais de quatro horas. Tivemos 15 minutos para sair, antes que derrubassem nossa casa e levamos apenas uma mochila com documentos.”

Funcionária da universidade de Damasco, Eman conseguiu fugir sozinha do país, praticamente sem comida e sem dinheiro. Atravessou o Mediterrâneo até o Egito e caminhando pela Macedônia, Sérvia, Hungria, Áustria, Holanda e Alemanha. “A vida era horrível no campo de refugiados na Alemanha”, ela afirma. “Não podíamos sair quando queríamos, não havia estrutura e os árabes eram tratados muito pior e com mais preconceito do que os outros refugiados.”

Xenofobia

Sua ideia de reunir a família na Europa desmoronou. Eman acabou encontrando o filho Majd, que havia conseguido abrigo no Brasil depois de ter seu visto negado por 14 países diferentes. “Quando percebiam que eu era sírio, nem me deixavam entrar no consulado”, afirma Majd, hoje com 29 anos, ele se tornou Miguel no Brasil. “Nossa vida era boa na Síria: tínhamos casa, empregos, carro, faculdade”, diz. “De uma hora para outra, não havia mais nada.” Empregado na área de TI, ele tenta a validação de seu diploma em engenharia de telecomunicações. Já a mãe, que está há dez meses no país, enfrenta dificuldades de adaptação e não conseguiu reunir a família. O marido não quer sair da Síria e o filho Khaled constituiu família na Jordânia.

Como eles, há hoje 5 milhões de refugiados sírios vagando pelo mundo. Eman diz entender aumento da xenofobia e o medo das pessoas em relação a culturas diferentes, com a invasão estrangeira. Já Miguel acredita que está se formando o cenário ideal para que a formação de um nova geração de terroristas e a guerra continue ainda mais forte.

“Nossa vida era boa na Síria: tínhamos casa, carros, emprego, faculdade. De uma hora para outra, não havia mais nada” Miguel Soufan, 29 anos, manifestante sírio refugiado no Brasil
“Nossa vida era boa na Síria: tínhamos casa, carros, emprego, faculdade. De uma hora para outra, não havia mais nada” Miguel Soufan, 29 anos, manifestante sírio refugiado no Brasil


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