Comportamento

A praga dos gafanhotos

Em alguns países da África não mais se vê o sol. Ele está encoberto por nuvens cinzas de milhares desses insetos que devoram e arrasam as plantações

Crédito: Divulgação

Uma aterradora nuvem de gafanhotos está cobrindo os cultivos de milho e feijão em diversos países do leste e sudeste da África – e, assim, um infinito cinza, que é a cor do inseto, tomou o lugar do verde das plantações.

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Existe a superstição de que estaríamos dessa forma chegando ao fim dos tempos, segundo reza a Bíblia, porque ataques de gafanhotos seriam a oitava praga a destruir o mundo, descrita nos textos sagrados. Deixe-se de lado o romantismo do colorido natural das plantas, deixe-se de lado, respeitosamente, as crenças. Fique-se com o fato: nações como Somália, Etiópia e Quênia, que se colocam entre as mais carentes do planeta, sofrem terríveis perdas de suas colheitas. E a fome humana aumenta nessas regiões.

MEDO Dignos de filmes de Alfred Hitchcock, os assustadores gafanhotos, quando se juntam em enxames de um quilômetro quadrado, consomem em um dia o que daria para alimentar trinta e cinco mil pessoas (Crédito:Divulgação)

Fenômeno Inédito

Os dados impressionam. Juntos, se fossem colocados numa fila, os gafanhotos formariam uma linha com cerca de sessenta quilômetros de extensão – explica-se, então, porque são chamados de nuvens: eles encobrem a luz do sol, feito os pássaros do amedrontador filme homônimo de Alfred Hitchcock. Para se ter uma ideia, um enxame de gafanhotos com a dimensão de um quilômetro quadrado consegue ingerir, em apenas vinte e quatro horas, a quantidade de alimentos suficiente para nutrir trinta e cinco mil pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A presença de gafanhotos na região não é novidade. O que assusta, dessa vez, é a quantidade deles. Na Somália e na Etiópia as nuvens são as maiores dos últimos vinte e cinco anos. De acordo com a ONU, não há precedentes históricos que se equiparem a tal fenômeno. No Quênia, por exemplo, a FAO detectou que a presença do inseto é a pior em sete décadas. O cientista Roxy Koll Mathew, do Instituto Indiano de Meteorologia Tropical, é categórico: o crescimento do número de ciclones na Península Arábica, especialmente em Omã, seguido por chuvas intensas, estimulou a reprodução desenfreada do inseto. O deslocamento em massa dos gafanhotos já ligou o sinal de alerta em outros países, como Índia, Paquistão, Arábia Saudita e Iêmen. Especialistas alegam que um novo ciclo de reprodução previsto para junho pode aumentar em até quinhentas vezes as nuvens arrasadoras.