A posse de Lula traz certo alívio, mas nenhuma esperança

Coluna: Ricardo Kertzman

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.

A posse de Lula traz certo alívio, mas nenhuma esperança

Luiz Inácio Lula da Silva participa da sessão de encerramento do grupo de transição em Brasília, em 13 de dezembro de 2022 - AFP
Foto: AFP

Passada a tempestade quase perfeita que uniu um autocrata violento e uma multidão de ressentidos (e cognitivamente desajustados), nos deparamos com uma espécie de “volta ao passado”, responsável justamente pela tormenta acima narrada.

A eleição e posse de Lula da Silva traz, sim, um certo alívio à parcela da sociedade que preza a democracia, porque não há um só cidadão capaz de realizar as mínimas sinapses, que não tenha, em algum momento recente, temido um golpe.

Infelizmente, contudo, ao menos nas palavras e nos gestos políticos iniciais, o novo governo Lula é a cara do velho governo Lula, inclusive nas companhias escolhidas para cerrar os principais ministérios, bem como na retórica estatizante perdulária.

O chefão do PT parece não ter esquecido nada nem aprendido nada, e não apenas faz provocações irresponsáveis aos agentes econômicos como sinaliza, a um só tempo, irresponsabilidade fiscal com ausência de plano de governo.

O desgoverno Bolsonaro foi tão ruim, mas tão ruim que pagou o preço de ser o primeiro presidente em exercício a não conseguir a reeleição. Assim, esperar algo melhor do líder do petrolão e do mensalão é razoável, ainda que nada de tão extraordinário assim.

Se Lula conduzir o País em paz e minimamente equilibrado, social e financeiramente até 2026, terá tido grande sucesso e feito mais do que seu antecessor. Do contrário, reabrirá as portas para outro aloprado da mesma espécie que o amigão do Queiroz. Toc, toc, toc…

Os estertores que emanam de Brasília nestes últimos dias não são nada auspiciosos, mas “entre mortos e feridos”, ao menos assim me parece, salvar-se-ão todos ao final. Que 2023 traga, portanto, melhores notícias e um pouco de paz de espírito ao País.