Em Cartaz

A pior versão de uma família

O terror “Nós”, de Jordan Peele, coloca uma típica família americana diante de um ataque mortal de duplos malignos

Crédito: Divulgação

SANGUE A mãe de família Adelaide (Lupita Nyong’o) combate sua imagem invertida em um parque de diversões (Crédito: Divulgação)

Jordan Peele, de 50 anos, não passava de um roteirista e ator de meia-idade remediado quando, em 2017, dirigiu o primeiro filme e ficou famoso. “Corra!” (Get out) renovava o gênero terror ao contar a história de um jovem negro capturado por uma família de suprematistas brancos. Peele inovou ao inserir crítica social e comédia em cenas de horror. Em seu segundo filme, “Nós” (Us), ele avança na fórmula que consagrou. Nele, as camadas de massacre, sociologia, sarcasmo e citações de dez thrillers clássicos se juntam para abordar o tema do “Doppelgänger” (o duplo) da literatura alemã. Uma família de classe média afro-americana tira férias na praia. O casal Adelaide e Gabe Wilson (Lupita Nyong’o e Winston Duke, ambos de “Pantera Negra”) e dois filhos, um menino e uma adolescente, estão no auge da felicidade quando se veem aterrorizados pela versão duplicada e piorada de si próprios. “Somos americanos”, zomba o zumbi de Gabe, enquanto corre atrás dele com um taco de beisebol. Na perseguição bizarra, os agressores se ferem, sem atingir seus alvo. É a metáfora da autoflagelação de uma sociedade dividida. Em cartaz.

3 criações de Jordan Peele

Keanu: Cadê meu gato? (2016)
É autor do roteiro e protagonista dessa comédia sobre gangues de Los Angeles

Corra! (2017)
Horror cômico e militante, escrito e dirigido por ele

Infiltrado na Klan (2018)
Produziu e convidou Spike Lee para dirigir a história real do policial negro que investiga a Ku Klux Klan nos anos 1970