Cultura

‘A pandemia é a cereja do bolo do demônio’, diz Fábio Porchat em live da IstoÉ

Crédito: IstoÉ

Na sexta-feira, 17, o ator, humorista e roteirista Fábio Porchat foi o convidado da live de IstoÉ. No bate-papo com o editor de cultura da revista, Felipe Machado, Porchat foi muito divertido, mas também falou sério: “O Brasil vive um roteiro mal escrito”.

Na troca de ideias, ele avaliou o cenário político, o humor, a produção de conteúdo pós-pandemia e ainda deu dicas de uma série de filmes que constam em sua lista de obras que assistiu na quarentena e outros sucessos da telona que são imperdíveis na avaliação dele.

Para Porchat, a onda de lives, que inunda a internet, do jeito que estão sendo feitas têm os dias contados para acabar. “Eu sou uma pessoa que gosta de olhar para a frente. Por isso, parei de gravar as lives em junho”, avalia. “As pessoas a cada dia têm menos interesse por elas. Esse formato atual de linguagem, sem qualidade, não será mais aceito e será produzido de forma mais profissional.”

Segundo a avaliação dele, com a popularização do streaming, forma de distribuição digital de conteúdo multimídia através da internet, não tem mais volta. “Essa pandemia vai fazer muito mal para o cinema. Vivemos novos tempos, novas formas de consumir, de produzir e de transmissão de conteúdo. A pandemia acelerou o processo de como as pessoas absorvem conteúdo multimídia pela internet”, entende.

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O ator faz uma reflexão sobre o comportamento da sociedade conectada e como será o “novo normal”. Para ele, a quarentena deixou de forma mais evidente que a internet brasileira é muito ruim, mas avalia tendências que chegaram para ficar, em especial das atividades do trabalho a distância. “O Porta dos Fundos não vai ter escritórios tão cedo”, disse.

Sobre os projetos para os próximos meses, Fábio Porchat diz que acabou de escrever o “Especial de Natal do Porta dos Fundos”, que irá ser gravado em agosto. Na live, ele revela ainda que está escrevendo o roteiro de um filme e uma série.

Um dos fundadores do Porta dos Fundos, produtora de vídeos de comédia veiculados na internet, lançada em 2012, ele antecipa que o especial deste ano será lançado em dezembro por outra plataforma sem ser o Netflix.

“Depois da confusão do ano passado, ficamos disputados. Deu muito o que falar no mundo todo principalmente depois do atentado terrorista que a produtora foi vítima.” Sobre o ataque ao escritório do Porta dos Fundos, ele diz: “As pessoas estão muito coléricas. A injustiça social é tão grande, as pessoas estão tão desassistidas, que a forma mais fácil de expressar isso é tendo raiva, que é, no fim das contas, a forma mais primitiva. No fim das contas, sinto que a pandemia ressaltou o racismo, a desigualdade social.”

Para ele, é duro fazer humor no país onde morre [violentada] uma mulher a cada 3 minutos, onde mais de 70 mil pessoas são vítimas de homicídio, um país racista, homofóbico, que mais mata trans, em que a polícia mais mata.

“A pandemia é a cereja do bolo do demônio. As pessoas não têm educação – que não é só saber ler e escrever. A gente não consegue discutir ideias, falar sobre política ou futebol sem partir para cima, sem bater. Muita gente nem viu o especial de Natal do ano passado e ficou chateado. Cinco pessoas se sentiram à vontade no meio da noite de Natal para pegar bombas e atirar contra o edifício com gente dentro.”

Na conversa, quando o assunto é política nacional, Porchat avalia que “Bolsonaro não governa, ele se vinga”. Para ele, o presidente se vinga de coisas da cabeça dele, do comunismo, das pessoas que pensam diferente da opinião dele. Bolsonaro vai acreditando nas maluquices dele mesmo, do bolsonarismo.

“Mas as pessoas foram se dando conta que ele é doido de pedra”, diz. “As pessoas têm medo desse presidente. Bolsonaro é tão burro, que ele atrapalha a si mesmo. Ele é um péssimo vilão, e o governo é formado por ministros que não gostam do que fazem.”

Fábio Porchat revelou que nessa quarentena tem assistido a muitos filmes e fez até anotações com oito listas, cada uma numa plataforma de streaming diferente. Nas listas de Porchat, estão obras raras do cinema, clássicos e também filmes populares.

Exemplos são “Laranja Mecânica”, “Profissão Repórter”, “Razão e Sensibilidade”, “Taxi Driver”, “Coração Valente”, “Quatro Casamentos e um Funeral”. Nas sugestões do ator constam filmes brasileiros como “O Quatrilho”, “O que É Isso, Companheiro”, “Beijo no Asfalto” e produções de Glauber Rocha. “Preciso assistir Glauber Rocha com a cabeça de hoje”, afirma Fábio Porchat.

Na entrevista, ele revela que seu cineasta preferido é Stanley Kubrick. “Ele é o melhor de todos”, afirma e conclui: “O melhor filme é ‘O Iluminado’, de Kubrick”.

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