Comportamento

A nova fronteira do entretenimento

O uso da realidade virtual pode tornar mais impactante a experiência proporcionada pelo cinema. O Brasil já é destaque no cenário internacional

Crédito: Divulgação

EXPERIÊNCIA O filme “A Linha” transporta o espectador, quase que literalmente, para a São Paulo dos anos 1940 (Crédito: Divulgação)

Quando o 3D digital foi popularizado no cinema comercial, houve a expectativa de que em algum momento uma pessoa em uma sala de cinema iria olhar para o lado e enxergar uma personagem e viver a trama de forma ainda mais imersiva. Hoje ainda não existe uma tecnologia que permita uma experiência como essa, mas já há alternativas, como o cinema em realidade virtual (VR, na sigla em inglês). Esse artifício por enquanto não abarca produções de longa metragem, limitando-se aos curtas. A maioria desses filmes conta com aproximadamente dez minutos de duração. Algumas grandes produções de terror filmaram cenas promocionais em VR como “A invocação do Mal” e “IT: A Coisa”, utilizando a técnica para promoção dos filmes e disponibilizando os trabalhos pela internet.

Nem só de sustos vive o cinema VR. A produção brasileira “A linha”, ambientada na cidade de São Paulo nos anos 1940, foi premiada como “Melhor Experiência Interativa” no Festival de Veneza desse ano. O curta foi produzido pelo estúdio Árvore, dirigido por Ricardo Laganaro, e com a exibição original contando com narração em inglês de Rodrigo Santoro. Um filme em VR não limita a experiência do espectador a ficar sentado e observar. No caso de “A linha”, a exibição é feita em uma sala de pelo menos nove metros quadrados e exige que o usuário se sente, levante, agache e interaja com diferentes elementos virtuais durante a experiência, que dura cerca de quinze minutos.

IMERSÃO Aparelho de VR permite perceber cenário em 360 graus e três dimensões (Crédito:Istockphoto)

Além de divertir

Se na exibição de longas o VR ainda não é utilizado, na produção deles o uso já é bastante difundido. Notoriamente, o remake de Rei Leão, do diretor Jon Favreau, foi filmado quase que inteiramente usando sets constituídos em realidade virtual. Os atores vestiam os dispositivos e se moviam por cenários que sequer existiam fisicamente. No terceiro filme da série “John Wick”, a sequência final foi planejada utilizando VR, para que não houvesse erros de continuidade, permitindo ao diretor Chad Stahelski simular a cena de forma mais eficiente antes que fosse gravada. Com grandes produções cinematográficas sendo lançadas diretamente em serviços de streaming, a indústria precisa de novas alternativas para atrair o espectador ao cinema. Colocá-lo dentro do filme pode ser uma das soluções.

 

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