Brasil

A nova esquerda

Partidos progressistas como PSB e PCdoB começam a se reorganizar para superar a hegemonia petista, centrada na figura de Lula. Governador do Maranhão fala em fusão e na criação de um MDB esquerdista

Crédito: Albani Ramos

FUTURO Flávio Dino, do Maranhão, aposta na criação de um novo partido unindo PCdoB e PSB: desejo de liderar em 2022 (Crédito: Albani Ramos)

As articulações em torno das eleições municipais, mesmo que afetadas pela pandemia, estão deixando cada vez mais claro que o campo esquerdista precisa superar a hegemonia petista e a figura personalista do ex-presidente Lula. Os extremos que lideraram em 2018, o PSL bolsonarista de um lado, e o PT, de outro, estão em baixa, permitindo a reacomodação das forças moderadas. Com isso, avançam as negociações para a criação de uma nova agremiação de esquerda, que está sendo chamada de novo “MDB de esquerda” pelo governador do Maranhão, Flávio Dino. Um dos principais incentivadores desse rearranjo no campo progressista, Dino é um entusiasta da fusão de seu partido, o PCdoB, com o PSB.

ISOLADO Lula deseja que o PT mantenha a hegemonia
e rejeita a participação em movimentos contra Bolsonaro: outros partidos se afastam do ex-presidente

Com base forte em Pernambuco, o PSB realizou recentemente uma reunião no Rio de Janeiro para discutir novos caminhos. Estavam presentes algumas das principais lideranças, como o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e o do Espírito Santo, Renato Casagrande. A legenda cansou da hegemonia petista. Desde 2014, quando o então presidenciável Eduardo Campos concorreu contra Dilma Rousseff, já havia a disposição de trilhar uma via independente. Desde então, não formou mais chapa com o PT e concorreu de forma independente. Agora, a ideia é firmar a imagem do partido com uma plataforma moderna, amparada nos estados que administra — e que podem servir de vitrine eleitoral para 2022. É a proposta do governador de Espírito Santo. O estado tem mantido a tradição de disciplina fiscal que já era praticada nas gestões passadas. Casagrande, que é um possível candidato à presidência em 2022, afirma que o partido precisa encontrar um caminho próprio, sem ser coadjuvante do PT. Já o PCdoB, que sempre assumiu um papel coadjuvante com o partido de Lula, pode também se afastar da órbita petista — é a aposta do governador do Maranhão.

Mea-culpa do PT

O PT continua refém da cúpula lulista, que insiste em candidaturas próprias para as eleições municipais. Isso tem levado algumas lideranças a se desgarrarem da direção. É o caso do governador do Ceará, Camilo Santana, que defendeu em 2018 uma chapa presidencial encabeçada por Ciro Gomes (PDT), tendo Fernando Haddad como vice. “Temos mais convergências do que divergências com o Ciro”, continua afirmando Santana. A insistência do PT em liderar a chapa levou a uma ruptura com o pedetista, que chegou a viajar para Paris durante o segundo turno das últimas eleições presidenciais. O episódio impede que Ciro Gomes caminhe junto com os petistas em 2022, como tem reiterado enfaticamente. Ciro sonha em concorrer novamente ao Planalto. Camilo Santana, que tenta se habilitar no cenário nacional visando 2022, vai mais longe. Ele defende que o PT reconheça os erros do passado — o envolvimento no Petrolão, entre eles — como forma de renovar o partido e criar uma nova base. É uma visão mais ousada do que o governador baiano, Rui Costa, que mantém bons índices de popularidade em seu estado e tem evitado o debate sobre o mea-culpa petista. Já a presidente do PT, Gleise Hoffmann, descarta totalmente a visão revisionista. Insiste no lançamento de candidatos próprios nas eleições municipais deste ano, mesmo que as pesquisas prenunciem um desastre semelhante ao que o partido enfrentou nas eleições municipais de 2016, quando perdeu metade das prefeituras que administrava. Ela fala por Lula, que insiste na reabilitação da sua biografia e se recusa a integrar os movimentos suprapartidários que se avolumam contra Jair Bolsonaro. O ex-presidente também não permite que novas lideranças independentes se destaquem.

As eleições municipais deste ano podem levar a um cenário para 2022 em que o PT vai ocupar um papel bem menor do que se acostumou nas últimas décadas. O desgaste do ex-presidente e uma base municipal ainda mais debilitada não devem dar o mesmo suporte que beneficiou Fernando Haddad há dois anos. Ele mesmo precisa lutar para se manter em evidência. Tem conversado fora dos holofotes com Flávio Dino e Marcelo Freixo (Psol), outro nome que entrou em choque com a cúpula de seu partido ao pregar um debate mais amplo entre as forças de esquerda. O ex-prefeito de São Paulo precisou lutar com a cúpula do PT para não participar das eleições municipais desse ano na capital paulista, pressentindo um desastre. O candidato da legenda, Jilmar Tatto, tem chances mínimas em novembro, o que levou outros nomes de esquerda a disputar o espólio petista. É o caso de Guilherme Boulos, do Psol, que vai concorrer e tem ganhado adeptos desiludidos do PT, como o ex-presidente do partido,Tarso Genro. “As disputas entre os progressistas giram mais sobre fatos pretéritos do que sobre propostas para o futuro. É preciso priorizar mais o futuro dos cidadãos que o julgamento de erros do passado”, afirma Flávio Dino, com otimismo. Mas as disputam persistem. Para 2022, o maior problema da nova esquerda é a ambição das velhas lideranças, que não abrem mão de seu protagonismo.

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