A nova novela das seis da TV Globo, “A Nobreza do Amor”, que estreia oficialmente nesta segunda-feira, 16 de março, apresenta uma identidade visual que é um manifesto sobre a cumplicidade histórica entre Brasil e África. O projeto de abertura, desenvolvido pelos Estúdios Globo, utiliza a canção “Zumbi”, de Jorge Ben Jor, como fio condutor para uma narrativa em animação que conecta os dois continentes.
A abertura de “A Nobreza do Amor” busca traduzir a complexidade da trama em um vídeo curto que valoriza as raízes negras e a ancestralidade. A escolha de “Zumbi” não é casual; a composição de 1974 reforça o tom de exaltação e resistência que permeia a história.
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Sob a liderança criativa de Will Nunes e Chris Calvet, a peça utiliza simbologias das realezas Ashanti e elementos da cultura iorubá para contextualizar o enredo escrito por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior.
Resumo:
A Nobreza do Amor estreia na segunda-feira, 16 de março, na faixa das 18h da TV Globo.
Abertura utiliza a canção “Zumbi”, de Jorge Ben Jor, lançada originalmente em 1974 no álbum “A Tábua de Esmeralda”.
Projeto visual focado em animação destaca a circularidade do tempo, conceito central em cosmologias africanas.
Estética incorpora o tecido Kente (realeza Ashanti) e adinkras para reforçar a linhagem da protagonista Alika (Duda Santos).
Estética e Simbologia Africana
O processo criativo fundamentou-se no conceito de tempo cíclico. Ao contrário da visão linear ocidental, a animação se move em círculos, retornando à imagem do reino de Batanga — símbolo da realeza e do destino de Alika. Segundo Will Nunes, o universo visual integrou tecidos Kente, associados à realeza Ashanti, em Gana, à arte popular brasileira.
Narrativa Visual e Personagens
A designer Luiza Russo explica que a abertura guia o espectador por mandalas e padronagens que conectam o plano simbólico à realidade dos personagens. O vídeo destaca a trajetória de Jendal (Lázaro Ramos) e o encontro do casal protagonista, Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto), simbolizando a união de “dois mundos”.
Produção e Direção
Com direção artística de Gustavo Fernandez e direção geral de Pedro Peregrino, a obra reforça o movimento da teledramaturgia brasileira em buscar profundidade histórica. A produção executiva é de Lucas Zardo, com direção de gênero de José Luiz Villamarim.