A morte do senso crítico


A polarização que domina o Brasil nos levou a um efeito colateral de consequências nefastas: a morte do senso crítico. Desapareceu entre nós a vocação para diferenciar fatos de versões, realidade de fantasia. Há apenas as malditas narrativas, histórias alternativas criadas por grupos políticos para colocar em dúvida a verdade mesmo diante de provas incontestáveis.

O problema não é novo. Talvez a data de nascimento do “nós contra eles” tenha sido o dia em que Lula declarou que havia recebido uma “herança maldita” mesmo após o processo de transição de poder mais civilizado de nossa história.

O governo Bolsonaro, no entanto, leva essa divisão nacional a níveis inacreditáveis. Após incentivar aglomerações e negar os riscos do coronavírus por meses, o presidente afirma que o Brasil foi um dos “países que melhor enfrentaram a pandemia”. Isso não é verdade sob absolutamente nenhuma ótica. Somos comprovadamente um exemplo de vergonha mundial. O presidente solta apenas mais uma frase irresponsável, um ultraje à memória das vítimas. Não há esperança de que ele se comporte como um presidente, sequer como um ser humano. Não falta a Bolsonaro apenas empatia, mas humanidade. É a banalidade do mal que Hanna Arendt tanto nos alertou – e para a qual grande parte do País não dá ouvidos.

A falta de senso crítico impede que os brasileiros analisem o que está acontecendo sem o bias político e dogmático que a personalidade do presidente impõe. Os satélites alertam que a Amazônia e o Pantanal ardem em chamas, mas seus defensores dizem apenas que “não é verdade”, sem apontar o que os leva a duvidar dessas informações. No máximo, baseiam-se na “intelligentsia artificial” manipulada por robôs virtuais pagos com o nosso dinheiro. Se um educador, cientista ou artista afirma alguma coisa, seu exército – literal e metafórico – imediatamente se posiciona contra. A realidade não importa, apenas a narrativa. Perdemos a capacidade de observar um fato e avaliar se aquilo é certo ou errado, seu contexto, suas consequências. Há um depósito feito por um acusado na conta da primeira-dama. Isso não é uma versão ou uma opinião, mas o presidente não se dá sequer ao trabalho de desmentir ou comprovar que a informação está errada. Não importa. Em outros tempos, um fato desses derrubaria um líder honrado em qualquer lugar do mundo. Hoje, é apenas uma informação diluída pelo mugido bovino das redes sociais. Meus pêsames ao Brasil: o senso crítico morreu.

A realidade não importa, apenas a narrativa. Perdemos a capacidade de observar um fato e analisar
se aquilo é certo ou errado


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