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A minha casa é a língua

Desde o século XV, a língua portuguesa tem viajado além-fronteiras e hoje é falada em praticamente todos os lugares do globo. O português é a quinta língua mais falada no mundo e quase 250 milhões de pessoas têm o orgulho de a afirmar como língua materna.

Foi primeiro Camões e depois Pessoa: “A minha pátria é a língua portuguesa”. Depois Vinicius e Caetano. “Gosto do Pessoa na pessoa, da rosa no Rosa”. E o Mia e o Agualusa. Como eles, (eu) sei que a poesia está para a prosa, assim como o amor está para a amizade. E que nossa pátria é a nossa língua. E que a língua é a nossa pátria. E eu tenho pátria e tenho mátria. E quero frátria. E o resto é mar.

Antigamente eram precisos barcos para percorrer a geografia e demorava muito tempo chegar de Lisboa a Salvador da Bahia. Mas isso era antes. Agora já não é assim. De clique em clique, cada “oi” é um “olá”, um “cheguei”, um “estou aqui”, um “valeu”.

Os impérios se desenharam pela força das armas, mas consolidaram sempre sua importância na geografia da língua. Ela foi sempre a primeira marca identitária de um território, mesmo quando só havia astrolábios e sextantes. Hoje, quando todos
os “marinheiros” navegam de iPhone na mão, a força da língua é maior que nunca.

Embora seja apenas a quinta mais falada, o português une todos os continentes e, no mundo da conetividade, a língua é o único território que interessa. Lisboa é mais perto de São Paulo que de Madrid. Brasilia dista de Macau uma ponte Rio-Niterói.

O lugar ímpar que o Brasil e Portugal têm na geopolítica, fruto das suas localizações estratégicas de um lado e outro do Atlântico e da nossa matriz empreendedora, coloca a nossa língua no centro da equação do futuro.

Por isso, a cada segundo, o valor e a influência da língua portuguesa crescem exponencialmente. A rede dos camões-falantes pode comunicar negócios e cultura simultaneamente no Brasil e em Goa, em Angola e Moçambique, em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau. E existem ainda as diásporas brasileira, portuguesa e angolana espalhadas
pelo mundo. Nova York, Tóquio, Boston, Caracas, Joanesburgo, Paris. Tanto mar, tanto mar.

Nesta nova era de conetividade, onde viajar é rápido e barato, a língua é o centro da economia. A cada dia, entre Sampa e Lisboa, os Jardins e o Chiado, o samba vira mar e, quem sabe, fado.

A língua nos deixa em casa.

A rede dos camões-falantes é a única que comunica negócios e cultura em todos os continentes. Na era da conetividade, entre Sampa e Lisboa, o samba vira mar e fado


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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