Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil foi o país com a população mais ansiosa do mundo em 2019, e um dos líderes em casos de depressão. Ainda de acordo com o órgão, uma pesquisa global liderada pela Universidade Estadual de Ohio (EUA) apontou que continuamos na frente em índices de ansiedade e depressão, com aumento de 25% em casos envolvendo essas duas moléstias.

Dificilmente não passamos ou não conhecemos alguém próximo que viveu dias, ou meses e anos, às voltas com crises de extrema ansiedade e até depressão duradoura. O tal ‘mal do século’, como adjetivado pelas autoridades de saúde mundo afora, não escolhe gênero, credo ou cor. Muito menos classe social e ideologia política. Ansiedade e depressão são doenças terríveis que podem acarretar desde a queda drástica na qualidade de vida até risco de morte em decorrência de males psicossomáticos ou suicídio.

A vida moderna não é fácil e, infelizmente, promete ser cada vez mais difícil, a despeito de tantas conquistas advindas das novas tecnologias. Sim, é verdade, viver nunca foi um mar de rosas. Desde o início da aventura dos sapiens na Terra, predadores, fome, clima, doenças, guerras, enfim, trataram de infernizar ao máximo a vida humana. Se comparados com períodos mais recentes – sei lá, 100 ou 200 anos atrás -, nossos dias não deveriam ser lá tão ruins, porém, vá dizer isso aos nossos cérebros e corações.

Violência urbana, desemprego, contas a pagar e mais recentemente pandemia, guerra e inflação generalizada são temperos adicionais no caldeirão de estresse cotidiano. Quem consegue dormir tranquilo com os filhos na rua e com os boletos que vencem daqui a uma semana? Como relaxar, se alimentar adequadamente e mesmo se divertir com a escola das crianças e o condomínio atrasados? Pior. Como ter alento e esperança em dias melhores, com essa sequência interminável de péssimos governos?

Não controlamos boa parte do que nos acontece. Acidentes, imprevistos e doenças fatais podem ocorrer a qualquer tempo. Porém certas situações extremamente angustiantes e preocupantes têm origem na canalhice humana, sobretudo no mundo da política, onde cretinos narcisistas, vaidosos, egoístas e cruéis escolhem entre paz ou guerra, honestidade ou corrupção, igualdade social ou concentração de renda, proteção ou violência, segurança alimentar ou fome. No Brasil, como sabemos, as escolhas são sempre as piores.

O World Happiness Report (Relatório Mundial da Felicidade), que pesquisa o grau de satisfação geral com a vida em 150 países, apurou que o Brasil se encontra na 38ª posição do ranking de felicidade. As primeiras dez nações, não por acaso, são países com altíssimo grau de desenvolvimento e contam com governos sérios, baixíssimos índices de corrupção e violência urbana, e emprego e renda em alta, como Finlândia, Dinamarca, Suíça, Holanda, Noruega, Israel e Nova Zelândia.

Por lá, meus amigos, não há Lula e Bolsonaro nem outros da mesma espécie. Por lá, políticos e governantes não recebem salários e benefícios além da média geral da população. Por lá, o governo serve ao povo, e não se serve dele. Isso basta? Como já dito, não. A raiz dos males da depressão e da ansiedade é muito mais abrangente, inclusive, não raro, de ordem química. Porém, quanto menos gasolina no fogo, melhor. Se não controlamos tudo, ao menos poderíamos não ter tantos leões adicionais à nossa espera.