Comportamento

A menina prodígio da astronomia

A alagoana Nicole Oliveira, de 8 anos, gosta de passar o tempo no telescópio vigiando as galáxias e já conseguiu detectar 23 asteróides

Crédito:  Jarbas Oliveira/AFP

“Não penso em ser astronauta. O que quero mesmo é ser engenheira espacial para construir foguetes” - Nicole Oliveira, estudante (Crédito: Jarbas Oliveira/AFP)

Aos oito anos, a menina alagoana Nicole Oliveira pode se tornar a pessoa mais jovem a descobrir asteróides. Nicole, que estuda astronomia desde os seis — quando fez um curso no Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas (CEAAL), em Maceió, detectou 23 asteróides. Com certeza, ela é a astrônoma amadora mais jovem do planeta, pois recebeu seu primeiro certificado aos seis anos. Em uma breve conversa, ela não deixa dúvidas que o espaço é para ela um tema fascinante. Nicole não costuma ver desenhos animados e prefere filmes e minisséries como “Guerra nas Estrelas” e “Star Trek”. Mesmo assim, ela não pensa em ser astronauta quando crescer. “Quero ser engenheira espacial para construir foguetes”, afirma.

A paixão de Nicole pelos céus vem desde a mais tenra infância, dizem seus pais. A menina ganhou um telescópio em 2019, instrumento que pedia desde os quatro anos. Por meio de vaquinhas realizadas na cidade, os pais conseguiram comprar o telescópio, que custa caro. A mãe, Zilma Janacá, é artesã, e o pai, Jean Carlo Oliveira, é analista de sistemas. “Acredito que esta paixão pela astronomia veio com ela. Quando Nicole tinha seis anos, pediu para fazer o curso de astronomia no CEAAL. Naquela época, só aceitavam alunos a partir dos 12 anos, mas o presidente abriu exceção”, conta Zilma.

Ela e Jean Carlo sempre apoiaram a busca de Nicole por conhecimento. Em 2020, quando a menina se tornou a mais nova participante do programa Caça-asteróides, do Ministério da Ciência e Tecnologia, os pais participaram da equipe formada por ela. O ministério tem parceria neste programa com o International Astronomical Search Collaboration (IASC), entidade que reúne astrônomos amadores de vários países, com sede nos Estados Unidos e apoio da NASA. Cada asteróide detectado é reportado ao IASC. Se sua existência nunca foi reportada por outro astrônomo, quem descobre tem a prerrogativa de nomear o corpo celeste.

A partir da entrada no programa Caça-asteróides, Nicole montou uma turma com suas amigas para tentar descobrir novos corpos celestes. Após o começo da pandemia, ela levou ao ar, com a ajuda dos pais, um canal no YouTube, o Nicolinha&Kids. Lá, especialistas em astronomia e professores conversam com as crianças sobre o espaço e os corpos celestes. A montagem do canal manteve a turma unida durante a pandemia e propagou conhecimento. Além de estudar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no futuro, Nicole sonha em trabalhar na NASA. Por enquanto, cursa o 3o ano do Ensino Fundamental em Fortaleza (CE), mas sonha ir longe. Talento ela tem.