Comportamento

A maravilha de Jericó

Após 5 anos e ao custo de R$ 68 milhões, Autoridade Palestina conclui a reforma de um dos maiores mosaicos de piso já descoberto no mundo

Crédito: ABBAS MOMANI
RESTAURAÇÃO Expectativa de aumento no fluxo de turistas (Crédito:ABBAS MOMANI)

Jericó, cidade situada na Cisjordânia, às margens do Rio Jordão, a cerca de 258 metros abaixo do nível do mar, é a região habitada com a menor altitude do planeta. O lugar guarda segredos históricos por baixo de cada grama de areia. Presente no Antigo e no Novo Testamento, estima-se que tenha mais de 10 mil anos, o que a torna a cidade mais antiga do mundo. Nela, há lugares considerados sagrados pelo cristianismo, judaísmo e islamismo, como por exemplo, o Monte das Tentações, onde Jesus teria passado por um jejum de 40 dias sendo visitado e tentado diversas vezes pela figura do diabo, e a Árvore de Zaqueu. Desde o início de novembro, Jericó, ganhou mais um local histórico ao concluir as reformas de um dos maiores mosaicos de piso já descobertos no mundo. Com 836 metros quadrados e utilizando em sua construção mais de 5 milhões de tesselas ou peças individuais para revestimentos, o mosaico cobre o chão das ruínas do Palácio de Hisham. A restauração custou cerca de US$ 12 milhões (R$ 68 milhões).

“Esse piso contém mais de 5 milhões de peças de pedra da Palestina” Saleh Tawafsha, subsecretário de Turismo (Crédito:Divulgação)

O mosaíco, ilustrado por padrões geométricos e abstratos e grafismos que se assemelham a mandalas, ornamentava todo o perímetro do palácio, — que remonta ao século VIII — que incluía uma mesquita, um pavilhão, prédios agrícolas e uma casa de banho, onde está a representação mais simbólica do local. A árvore da vida, que mostra a imagem de um leão atacando um cervo, simbolizando a guerra, e do outro lado, duas gazelas, simbolizando a paz. “Este mosaico contém mais de 5 milhões de peças de pedra da Palestina, que têm uma cor natural e distinta. Espero que a restauração atraia turistas”, disse Saleh Tawafsha, subsecretário do ministério palestino de turismo e antiguidades. Acredita-se que o luxuoso palácio era ocupado por um sobrinho do líder do califado Omíada – o segundo dos quatro principais califados islâmicos. Ele foi destruído após um forte terremoto em 747 d.C. sendo abandonado por muitos séculos até ser redescoberta por arqueólogos em 1873. Porém, o piso em mosaíco só foi encontrado em 1930. A recente reforma teve inicio em 2016 e só foi ser concluída este ano.